Ministro argentino diz que precisa de mais prazo para pagar Clube de Paris

'Não vamos aceitar pagar em um ano. Vamos trabalhar em uma proposta que seja executável, que nos permita crescer no tempo'

Marina Guimarães, da Agência Estado,

16 de novembro de 2010 | 13h32

O ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, disse hoje que seu país não vai aceitar pagar a dívida ao Clube de Paris em um prazo de apenas 12 meses. "Não vamos aceitar pagar em um ano. Vamos trabalhar em uma proposta que seja executável, que nos permita crescer no tempo", disse Boudou em entrevista a uma rádio de Buenos Aires. A declaração do ministro foi dada um dia após o anúncio da presidente Cristina Kirchner sobre o início oficial das negociações com o Clube de Paris, para regularizar a dívida de US$ 6,7 bilhões.

O ministro reconheceu que a dívida total, somando os juros vencidos desde o default decretado em dezembro de 2001, é superior. Mas o ministro disse que a partir de agora começam as discussões sobre o montante final. Os analistas calculam que o valor pode chegar a cerca de US$ 8 bilhões. Boudou ressaltou que a negociação será "positiva para a Argentina". Também gabou-se por ter vencido a queda de braço com o Fundo Monetário Internacional (FMI), já que as negociações não incluem a participação do organismo multilateral de crédito, como previa a norma do Clube de Paris.

"A tenacidade e a persistência demonstram que quando se defendem os interesses da Argentina, se pode conseguir aquilo que alguns diziam que era impossível: negociar sem o FMI", disse Boudou. O ministro afirmou que a visita da presidente Cristina Kirchner à chanceler alemã, Angela Merkel, foi a chave para conseguir excluir a intermediação do FMI das negociações.

Nesta manhã, o spread de risco da Argentina no Emerging Market Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, voltou a quebrar a barreira dos 500 pontos-base. Em meio a um clima financeiro internacional favorável à Argentina, a chamada taxa de risco país estava em 497 pontos-base.

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