Ministro chinês diz que soja rejeitada "não era qualificada"

Brasília, 12 - O ministro da Administração Geral, da Supervisão da Qualidade, Inspeção e Quarentena da China, Li Chiangjiang, citou o problema comercial enfrentado pelo Brasil na venda de soja aquele país. Em discurso durante a cerimônia de assinatura de protocolo sanitário entre os dois países, o ministro disse que a China importou até o mês passado 6,16 milhões de toneladas de soja em grão do Brasil e deste total 1,6 milhão de toneladas "tiveram problemas, ou seja, não eram qualificados". De acordo com o ministro, quase 1 milhão de pessoas na China foi empregada para catar as sementes de soja nos carregamentos de grãos. "Essa postura da China mostra que o país adota uma política flexível e diferenciada para o Brasil", afirmou Li Chiangjiang. Questionado se os números não eram exagerados, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, limitou-se a dizer que pode ter havido um erro de tradução. Técnicos do Ministério da Agricultura informaram de maneira reservada que a China recusou-se a receber cinco navios carregados com soja brasileira, num volume de cerca de 300 mil toneladas. Na cerimônia, o ministro Li Chiangjiang lembrou que a China tem aumentado as importações de soja e derivados do Brasil. Segundo ele, em 2002 o país importou 3,9 milhões de toneladas de soja do Brasil. Em 2003, o volume passou para 6,4 milhões de toneladas. No acumulado deste ano, até outubro, as importações somam 6,1 milhões de toneladas. As importações chinesas de óleo de soja do Brasil também cresceram. O volume de 750 mil toneladas importadas de janeiro a outubro deste ano já corresponde ao total importado durante todo ano passado. "Os números mostram que há um aumento do comércio do Brasil para a China", diz o ministro chinês. Ele lembrou ainda que o comércio entre os dois países foi de US$ 8 bilhões no ano passado e neste ano deve fechar em US$ 10 bilhões. Em três anos, a expectativa é de que este comércio cresça para US$ 20 bilhões. Ele classificou como muito positiva as negociações entre os dois países e lamentou o fato de o excessivo número de reuniões que ter impedido a visita à fazenda do ministro Roberto Rodrigues, no interior de São Paulo. "A visita fica para a próxima vez", disse.

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