Ministro de Finanças grego diz que troica permanecerá no país

Yannis Stournaras afirmou que governo está tentando encontrar o equilíbrio perfeito entre austeridade e medidas de estímulo ao crescimento

Camila Souza Ramos, especial para a Agência Estado,

30 de julho de 2012 | 16h52

ATENAS - O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Stournaras, afirmou nesta segunda-feira que a troica de credores internacionais vai permanecer no país "o quanto for necessário", e que o governo está tentando encontrar o equilíbrio perfeito entre austeridade e medidas de estímulo ao crescimento. Os representantes da troica - formada pelo Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) - estão em Atenas para avaliar a implementação das reformas prometidas em troca do segundo pacote internacional de resgate.

Após um encontro de mais de duas horas entre o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, o líder do Partido Socialista (Pasok), Evangelos Venizelos, e o líder do pequeno Esquerda Democrática, Fotis Kouvelis, um alto funcionário do governo afirmou que a Grécia pretende pedir uma extensão de dois anos no prazo para cumprir as metas fiscais estabelecidas em seu segundo pacote de resgate, de 173 bilhões de euros, enquanto finaliza os cortes exigidos pelos credores, de 11,5 bilhões de euros.

Segundo a fonte ouvida pela Dow Jones, a redução nos gastos públicos e a pressão para estender o prazo do pacote "ocorrerão em paralelo".

O líder do Pasok afirmou à imprensa, após o encontro, que os três membros da coalizão estão "criando uma estratégia para tirar o país da recessão". Para ele, o ajuste fiscal precisa levar em consideração o fato de que a contração econômica está pior do que foi previsto pelos parceiros europeus. "Nosso objetivo básico é tirar o país da crise, conter a recessão, promover medidas que estimulem o crescimento, avançar com as reformas estruturais e acelerar as privatizações", acrescentou.

"A discussão continua, e vai continuar nos próximos dias", afirmou o líder do Esquerda Democrática, que apoia o governo. Kouvelis assegurou que está "de total acordo com o plano estratégico para lidar com os problemas" do país.

A Grécia está sob pressão para concluir os cortes nos gastos de forma a ter acesso à parcela de 31,5 bilhões de euros do empréstimo da União Europeia (UE) e do FMI em setembro, mês em que Atenas pode não ter mais dinheiro para pagar as pensões e os salários dos funcionários públicos. Porém, mais cortes devem agravar a situação do país, mergulhado em uma profunda recessão.

Para garantir a redução nos gastos públicos, o governo deverá estabelecer limites para as pensões e cortes nos subsídios à saúde e em benefícios sociais. As medidas ainda devem ser submetidas aos auditores da troica, que avaliará em setembro se a Grécia continuará a ter acesso aos empréstimos. As informações são da Dow Jones.

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