Ministro do Japão defende ação do BOJ e sinaliza intervenção no câmbio

Ministro das Finanças expressou descontentamento sobre a persistente alta da moeda

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

31 de agosto de 2010 | 10h01

O ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, defendeu o banco central japonês (BOJ, na sigla em inglês) das críticas de que seu mais recente passo de política monetária foi muito modesto para conter a alta do iene, sugerindo que o ministério pode deixar de exigir mais flexibilização monetária por algum tempo.

Mas num sinal de que o governo ainda vê o fortalecimento do iene como um problema principal, o ministro expressou descontentamento sobre a persistente alta da moeda, sugerindo mais uma vez a possibilidade de intervenção no mercado de câmbio, se necessário.

O banco central agiu apropriadamente e rapidamente em resposta às recentes mudanças nas condições econômicas e financeiras, destacou Noda em entrevista coletiva. "Eu acredito que as medidas de política monetária do BOJ, combinadas com novas contramedidas do governo, começarão a mostrar um impacto daqui em diante."

Em uma entrevista coletiva separada, o ministro da Economia, Satoshi Arai, também classificou como "muito elevada" a rapidez da resposta do BOJ.

Os comentários dos ministros foram feitas apesar da nova medida de flexibilização anunciada pelo banco central, na segunda-feira, ter fracassado em dissuadir os investidores de comprar ienes.

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, também pareceu satisfeito com a ação do BOJ. O tom das declarações do governo sugere que ele pode suspender sua campanha de pressionar, por enquanto, o banco central a fazer mais para revitalizar a economia japonesa, muito dependente das exportações.

A economia do Japão tem sido atingida pelo moderado crescimento no exterior e pela diminuição dos efeitos das medidas de estímulo no país.

Em uma reunião emergencial na segunda-feira, o comitê de política monetária do BOJ aprovou o oferecimento de mais 10 trilhões de ienes (US$ 118,41 bilhões) em empréstimos de seis meses para as instituições financeiras a uma taxa de 0,1%, além dos 20 trilhões de ienes em empréstimos de três meses que já haviam sido oferecidos anteriormente.

No mesmo dia, o governo delineou um pacote de estímulo econômico relativamente pequeno, no valor de 920 bilhões de ienes (US$ 10,89 bilhões), em parte, para mostrar sua unidade com o banco central em seus esforços para impedir o enfraquecimento da recuperação econômica do Japão.

O dólar recuou cerca de 1,5 iene, ou 1,7%, para 85,35 ienes, desde que o BOJ anunciou sua mais recente medida.

O governo, entretanto, prosseguiu com seus esforços para retardar elevação da moeda japonesa em declarações públicas.

"Os movimentos atuais das taxas de câmbio são unilaterais", disse Noda, que tem autoridade para pedir ao BOJ que intervenha para vender ou comprar iene. "Como eu venho dizendo, a minha visão fundamental é que as flutuações excessivas ou os movimentos desordenados das taxas de câmbio têm um efeito negativo sobre a estabilidade das economias e dos mercados financeiros. Com base nesta posição, vamos acompanhar o mercado com grande interesse, e tomaremos medidas decisivas quando for necessário", destacou o ministro.

Mas o iene se movimentou pouco em reação aos comentários de Noda, apesar de a frase "medidas decisivas" ter sido usada frequentemente por governos passados para sinalizar uma eminente intervenção.

A ausência de reação no mercado pode significar que, depois de semanas sem uma real intervenção, apesar da escalada de advertências de Noda, os traders estão começando a duvidar da prontidão do Japão para intervir no câmbio.

As informações são da Dow Jones. 

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