Ministro japonês admite que pode haver nova intervenção no câmbio

Preocupação do governo é com a valorização excessiva do iene, que afeta as exportações

Hélio Barboza, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 08h06

O ministro da Economia e Política Fiscal, Kaoru Yosano, disse que o governo e o Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês, banco central) devem estudar medidas caso o mercado de câmbio se torne muito volátil, já que o iene forte continua a ameaçar a economia do país, dependente de exportações. "Essa volatilidade leva à turbulência na economia", afirmou Yosano.

As declarações do ministro são mais um sinal de que o governo japonês pode intervir novamente no mercado de câmbio estrangeiro se o iene se valorizar excessivamente. Em setembro, o governo realizou uma intervenção com a venda de ienes pela primeira vez em mais de seis anos. "O nível do iene deveria refletir os fundamentos da economia japonesa", declarou Yosano.

Ele manifestou a preocupação de que compras especulativas de iene possam prejudicar essa relação. Mas, num sinal de que não deve defender nenhuma medida por parte do governo ou do BOJ com o iene nos níveis atuais, Yosano disse acreditar que "o mercado está decidindo a taxa de câmbio", uma vez que o dólar "agora é negociado em cerca de 82 ienes e não está se mexendo muito".

Yosano afirmou ainda que o governo pode considerar o nível do iene contra um conjunto de moedas, incluindo o euro. "Eu não posso comentar sobre quais níveis são bons e quais são ruins", ressalvou. As declarações vieram no momento em que o dólar era cotado a 82 ienes no começo da tarde em Tóquio. A queda gradual do dólar nas últimas semanas, desde a máxima de 2011 (alcançada em 7 de janeiro aos 83,70 ienes) reavivou as preocupações acerca da ameaça que o iene valorizado representa para a economia japonesa. O iene forte puxa para cima os preços das exportações do país e diminui o retorno com as vendas externas.

Às 7h27 (de Brasília), o dólar era cotado a 82,11 ienes, de 82,10 ienes no fim da tarde de terça-feira. As informações são da Dow Jones.

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