Ministros da UE pressionam Grécia a cortar mais o déficit

Para ministro sueco das Finanças, plano do país para reduzir déficit não é suficiente 

Reuters,

16 de fevereiro de 2010 | 11h41

O ministro sueco das Finanças disse na terça-feira, 16, que o plano da Grécia para reduzir seu déficit não é suficiente, aumentando a pressão sobre Atenas para controlar suas finanças e acalmar os mercados.

 

Durante a reunião dos ministros de Finanças europeus em Bruxelas, o luxemburguês Jean-Claude Juncker também lamentou o comportamento "irracional" dos mercados, que derrubaram a cotação do euro em resposta aos problemas gregos.

 

Em 11 anos de existência da união monetária europeia, é a primeira vez que um país precisa de apoio dos demais por causa do seu endividamento. Dois lotes da dívida soberana do país, num valor superior a 8 bilhões de euros cada, vencem em abril e maio e terão de ser refinanciados. Espanha, Portugal e alguns outros países também estão na mira dos investidores.

 

"Esta é uma situação bastante urgente", disse o ministro sueco Anders Borg, cujo país faz parte da União Europeia, que tem 27 integrantes, mas não está entre os 16 que usam o euro.

 

"O que vimos até agora não basta. Precisamos de mais passos quando se trata de impostos e (...) gastos, mesmo que eles queiram construir credibilidade no mercado".

 

Na segunda-feira, ministros da zona do euro haviam informado à Grécia que o país teria de provar diariamente a redução do seu déficit em troca da promessa de apoio recebida de dirigentes da UE na semana passada. Os ministros alertaram também que talvez sejam necessárias medidas adicionais.

 

"A chave não é os próximos 30 dias. É o que acontece hoje, amanhã, depois de amanhã", disse a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

 

"O que todos queremos que aconteça (...) é a implementação do plano grego que aprovamos e que será confirmado hoje (terça)."

 

A Grécia já anunciou aumento do imposto sobre combustíveis, reduções no salário do funcionalismo público e reformas previdenciárias, o que gerou protestos populares. O país terá de reduzir seu déficit até 2012 de 12,7% para menos de 3% do PIB, começando com um corte de quatro pontos neste ano.

 

Parte do problema da Grécia é recuperar a credibilidade depois de anos divulgando dados financeiros que, segundo o sueco Borg, eram "basicamente fraudulentos".

 

Na reunião de segunda-feira, o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou, pediu paciência e sugeriu que talvez o apoio político verbal manifestado por líderes da UE não baste para conter as especulações do mercado.

 

(Por Marcin Grajewski e Tamora Vidaillet, com reportagem adicional de Brian Rohan e Jan Strupczewski)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.