Ministros do G-20 buscarão meios de evitar crise de alimentos, diz ‘WSJ’

Ministros da Agricultura devem anunciar na próxima semana projetos para estabilizar e sustentar a oferta mundial de alimentos

Gabriela Mello, da Agência Estado,

17 de junho de 2011 | 14h28

Os ministros de Agricultura dos países que compõem o G-20 esperam anunciar na semana que vem projetos ambiciosos para estabilizar e sustentar a oferta mundial de alimentos, incluindo uma nova base de dados dos estoques internacionais e uma redução do controle governamental sobre o comércio de tais produtos.

"O ponto de partida era evitar que o século 21 fosse o século da fome", afirmou o ministro de Agricultura da França, Bruno Le Maire, a repórteres nesta sexta-feira, 17, segundo o Wall Street Journal. "Estamos tentando [chegar a] um acordo...Nós achamos que a comunidade internacional não entenderia se não tomarmos decisões."

O encontro da próxima semana - que acontecerá nos dias 22 e 23 de junho, em Paris - surge num contexto de crescentes problemas na oferta global de alimentos, motivo pelo qual o assunto faz parte da agenda do G-20 pela primeira vez. Os chefes de Estado das nações que integram o grupo se reunirão em Cannes, na França, no mês de novembro.

O preço do trigo dobrou entre julho de 2010 e fevereiro deste ano, disse Le Maire. O ministro acrescentou que o crescimento anual da produção agrícola desacelerou nas últimas décadas e foi de apenas 1,5% nos últimos 20 anos, enquanto a demanda por alimentos deve aumentar 70% até 2050.

Ele também citou problemas devido às mudanças climáticas - como as inundações na Austrália, a estiagem que afetou a Rússia em 2010 e a falta de chuvas na Europa Ocidental neste ano -, que interromperam a produção de alimentos e contribuíram para volatilidade dos preços. Tamanha instabilidade desencorajou as atividades de plantio, já que os agricultores não sabiam os valores que eventualmente receberiam pelos seus produtos, de acordo com Le Maire.

A reunião do G-20 se concentrará na tomada de diversas decisões concretas, segundo o ministro francês. O grupo de países quer estabelecer uma base de dados para coordenar os estoques mundiais de alimentos na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma. Isso ajudará os governos a prever uma provável escassez e a adotar medidas para socorrer os países em dificuldades. No entanto, Le Maire afirmou que ser difícil coletar informações sobre a produção em grandes países, como Índia e China.

Os ministros de Agricultura do G-20 também pretendem reduzir a interferência dos governos no comércio ao, por exemplo, limitar o impacto de medidas como o embargo das exportações de trigo imposto pela Rússia no ano passado. Seria possível impedir tais restrições, disse ele.

O encontro da próxima semana também discutirá se os mercados de commodities podem ser regulados, de modo a reduzir a volatilidade dos preços. Le Maire informou que interesses divergentes tornaram um acordo difícil. A China, por exemplo, teme as exigências de maior transparência em relação ao estoque de alimentos e à produção. O Reino Unido, por outro lado, se preocupa com a regulação excessiva dos negócios envolvendo commodities.

Ainda assim, o ministro francês insistiu que qualquer acordo será fundamental. "É como escolher um papa - haverá reação positiva ou negativa, se tivermos um acordo ou não. Não há medidas pela metade." As informações são da Dow Jones.

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