Minoritários da YPF avaliam se vale a pena manter investimento

Muitos investidores que possuem ações da YPF já estão se livrando do papel; ADRs em Nova York já caíram 33% esta semana

Álvaro Campos, da Agência Estado,

20 de abril de 2012 | 14h49

A expropriação da subsidiária da Repsol YPF na Argentina deixou os acionistas minoritários da petroleira analisando se vale a pena continuar investindo em uma companhia cujo novo objetivo é fornecer energia barata para o povo.

Muitos investidores que possuem ações da YPF já estão se livrando do papel. Os recibos da companhia negociados em Nova York (ADRs) já perderam quase 33% esta semana, desde que a presidente argentina Cristina Kirchner anunciou a expropriação de uma fatia de 51% da companhia, que pertencia à matriz espanhola Repsol.

O governo espanhol e a Repsol, que viram sua participação cair para 6%, de 57,4%, prometeram combater a expropriação. Mas o projeto deve ser aprovado facilmente no Congresso argentino, onde Cristina tem ampla maioria. O governo argentino já nomeou um interventor e substituiu a gerência da YPF.

Por enquanto, a família argentina Eskenazi vai manter sua participação de 25,5% na YPF, assim como os acionistas que possuem os 17,1% negociados nas bolsas de Buenos Aires e Nova York. Esta semana, o vice-ministro de Economia, Axel Kicillof, disse que a expropriação é boa para os minoritários.

"Eu estou convencido que o que nós fizemos foi assumir o controle, não botar todos para fora. Nós não expulsamos os acionistas privados que investiram na YPF e que vão ver a companhia crescer nas mãos de uma gestão diferente, profissional", comentou Kicillof.

No ano, os ADRs da YPF acumulam perda de 57%. Além disso, a capitalização de mercado da companhia encolheu para US$ 5,8 bilhões. Para Adrian Mayoral, trader da corretora Mayoral Bursátil, a YPF se tornou uma ação extremamente especulativa, com oscilações violentas ditadas por decisões políticas e manchetes de jornal.

Para Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank, fatores positivos de longo prazo, como a exploração de gás de xisto e o aumento nos preços do petróleo, são ofuscados pela incerteza no curto prazo. "Eu acredito que não existe nenhuma razão para comprar essa ação agora, porque a situação está muito fluida". As informações são da Dow Jones. 

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