Moinhos brasileiros se mexem diante de alta do trigo argentino

Os moinhos brasileiros, que no iníciodo mês estavam cautelosos para realizar compras antecipadas detrigo da safra nova argentina, apostando que os preços poderiamapresentar algum recuo, mudaram de estratégia ao perceberem queo mercado deve continuar firme. Segundo corretores, as cotações no país vizinho subiramcerca de 10 por cento em um período de 15 dias. O produto daArgentina, o principal fornecedor de trigo do Brasil, passou de250 dólares/tonelada, no início do mês, para 275 dólares (baseFOB), acompanhando a alta no mercado internacional guiada porum aperto da oferta e problemas em safras mundo afora. "Eles (moinhos) entraram no mercado. A possível baixa nospreços não ocorreu. Ao contrário, subiram de 20 a 30 dólares",disse um corretor de São Paulo. "E os fatores mundiais são deque a coisa vai continuar firme", acrescentou. De acordo com corretores, um ou outro grupo de moagembrasileiro realizou compras de trigo argentino, que começa aser colhido em novembro, quando os preços estavam entre 250 e260 dólares por tonelada. Agora os vendedores já estão pedindo280 dólares, para embarques em dezembro e janeiro. "As notícias de problemas no trigo europeu [ID:nN14422228],as compras do Egito [ID:nN14423253] e do Iraque [ID:nN14427476]são fatores que indicam que o mercado não vai cair", declarou. A firmeza no mercado internacional de trigo, que énegociado em Chicago nos maiores patamares em 11 anos, ocorreem um momento em que o Brasil figura entre os principaisimportadores mundiais, depois de uma safra ruim em 2006. O país iniciou nos últimos dias a colheita dos primeiroslotes da safra que deve ser capaz de atender apenas 30 porcento de suas necessidades anuais, de 10,5 milhões detoneladas, e terá de importar o volume restante, a maior parteda Argentina. COMPETITIVIDADE ARGENTINAEntretanto, um segundo corretor de São Paulo avaliou que osmoinhos brasileiros demoraram para se posicionar, não apenasporque poderiam ter feito compras anteriormente a 240 dólarespor tonelada, mas também porque a Argentina cada vez mais passaa fornecer para outros países não-integrantes do Mercosul. A fonte, que pediu para não ser identificada, disse queoutros fatores altistas --como uma safra australianasupostamente inferior a 20 milhões de toneladas-- reforçam aidéia de que o trigo argentino será ainda mais procurado. Além disso, salientou, o trigo francês atingiu o pico de320 dólares por tonelada (FOB), indicando que o produtoargentino pode subir mais. "Tem espaço para a Argentina colocaro produto em qualquer lugar do mundo", disse. A Abitrigo, que representa as indústrias locais, queixou-sede que a Argentina, parceira comercial do Brasil, vende cadavez mais para outros destinos, ao mesmo tempo em que osbrasileiros são obrigados a pagar valores mais altos e taxaspara buscar o grão em outros países [ID:nN08331542]. O mercado estima que as compras feitas pelo Brasil do trigonovo variam de 300 a 500 mil toneladas, de um total de até 700mil contratadas para exportação. No mercado interno, o trigo safra nova brasileiro, noembalo do mercado internacional, está no mesmo nível do cerealargentino, cotado a 540 reais por tonelada (272 dólares), paraentrega em setembro. Para entrega imediata, está 550 reais. Segundo o corretor paranaense Alexandre Maron, da TrigoBranco, o mercado esteve bastante aquecido, com as indústriasfazendo estoques até outubro, precavendo-se de algum eventualproblema climático. Agora o mercado está mais calmo.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

14 de agosto de 2007 | 18h19

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