Monges italianos apostam em cerveja para reerguer cidade

Monges italianos apostam em cerveja para reerguer cidade

Município de Núrsia, no qual nasceu São Bento, foi afetado em outubro por terremoto de 6,6 graus na escala Richter

Elisabetta Povoledo, The New York Times

12 Dezembro 2016 | 05h00

O reverendo Cassian Folsom se preparava para celebrar a missa matinal do domingo quando, de repente, a terra começou a tremer.“Pedras e telhas começaram a cair sobre nossas cabeças”, relembra. “Foi assustador.”

Quando a poeira baixou, ele e outros monges – quase todos vindos dos Estados Unidos – descobriram que sua querida Basílica de São Bento, construída séculos atrás em Núrsia, no centro da Itália, para homenagear o lugar de nascimento do santo, estava em ruínas.

Depois do terremoto de 30 de outubro, uma das poucas coisas que continuou de pé no monastério foi a pequena cervejaria, onde os monges fazem a cerveja Nursia.

Agora, a cerveja pode ser a salvação – simbólica, ao menos – não apenas do santuário dos monges, mas também de Núrsia. Essa antiga vila murada é hoje uma cidade fantasma de igrejas e palácios rachados, que luta para se recuperar do terremoto mais forte a atingir a Itália em 36 anos. Os monges estão planejando levar a bebida da cervejaria para um local mais seguro, onde poderá ser engarrafada e rotulada especialmente antes de ser vendida para arrecadar dinheiro para a reconstrução, diz o reverendo Benedict Nivakoff, vindo de Connecticut.

Segunda vez. Não é a primeira vez que o mosteiro tem que se reerguer. Os monges americanos chegaram em 2000, sob um plano de sua ordem para povoar o local, abandonado desde 1810. Liderados por Folsom, agora vivem lá 15 monges.

Eles aprenderam a fazer cerveja com os experientes mestres cervejeiros trapistas da Bélgica e começaram a produzir a Nursia em 2012. O nome da cerveja foi escolhido “especificamente para ajudar as pessoas da cidade, ao invés de nomeá-la como São Bento”, diz Nivakoff.

“Queríamos que todos identificassem a cerveja com a cidade”, para ajudar a apoiá-la, contou. O irmão Augustine Wilmeth, mestre cervejeiro da Carolina do Sul, diz que a Nursia era “a única cerveja monástica do mundo feita apenas por monges”.

Outras operações de cervejarias monásticas, explica, cresceram e se tornaram negócios milionários com muitos funcionários. Em Núrsia, os monges fazem tudo sozinhos, produzindo 10 mil garrafas por mês.

As variedades de cerveja do monastério rapidamente ganharam seguidores entusiasmados em lojas e restaurantes locais, e a cervejaria começou a exportar para os EUA este ano. Apesar de muitos dos mercados regionais que vendiam a bebida estarem fechados por causa do terremoto, ela ainda está disponível através dos importadores americanos, dizemos monges.

Se os esforços de arrecadação de fundos puderem ajudar tanto o santuário quanto Núrsia a reviver, dizem eles, os monges ficarão felizes em pagar seus beneficiários – mesmo que seja de uma maneira borbulhante. “Temos orgulho de ser americanos”, diz o reverendo Martin Bernhand. “O fato de as pessoas experimentarem e comprarem nossa cerveja é uma coisa maravilhosa para nós.”

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