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Bayer faz oferta pela Monsanto para criar gigante de US$ 67 bi em vendas

Se confirmada, operação dará origem à maior companhia de sementes e defensivos agrícolas do mundo; com a compra, divisão de agronegócios se tornaria a principal da companhia alemã

O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 10h11
Atualizado 20 de maio de 2016 | 08h06

A Bayer, multinacional alemã com atuação no setor químico, fez ontem uma oferta de aquisição da Monsanto, produtora americana de sementes e agrotóxicos. Se confirmado, o acordo deve superar a cifra de US$ 42 bilhões, equivalente ao valor da Monsanto no mercado de ações.

Em comunicado, a gigante americana da agricultura confirmou ter recebido a proposta, apontando que se trata de uma oferta “não solicitada”. O conselho da empresa está analisando os termos e afirmou que não há garantia de que o acordo irá ocorrer. Detalhes da proposta não foram anunciados. Ontem, a Bayer confirmou que executivos haviam se encontrado com representantes da Monsanto para discutir uma possível aquisição, afirmando que o acordo “criaria um líder integrado no setor de agronegócio.” 

A confirmação do acordo entre as empresas poderia resultar num negócio de US$ 67 bilhões em vendas anuais, criando a maior companhia de sementes e defensivos agrícolas do mundo. Além disso, seria a consumação de uma rodada de consolidações verificada no último semestre, que já teve a fusão entre Dow Chemical e DuPont, assim como a compra da suíça Syngenta pela estatal chinesa ChemChina.

Pessoas próximas à Monsanto levantam dúvidas sobre o interesse da empresa no acordo e apontam que poderia haver dificuldades em obter a aprovação de órgãos reguladores.

Embora a divisão agrícola seja forte no Brasil, o setor representa somente 22% da receita global da Bayer no mundo. Para engordar essa divisão em todo o mundo, a Bayer pretende adquirir a Monsanto, maior vendedora global de sementes. 

Com os US$ 15 bilhões em vendas por ano da Monsanto, o agronegócio passaria a representar 40% das receitas da Bayer - o restante viria de produtos farmacêuticos e de saúde. 

A combinação das empresas ofereceria 28% de participação no mercado de agrotóxicos, cerca de 36% do mercado de sementes transgênicas de milho e 28% do mercado de soja nos Estados Unidos, conforme estimativas do Morgan Stanley.

Os portfólios das companhias são, segundo analistas, geograficamente complementares, com presença forte da Monsanto na América do Norte, enquanto a Bayer tem mais mercado na Europa e Ásia.

Brasil. O Brasil é um mercado- chave para os setores de sementes e defensivos agrícolas - neste último, cerca 20% da demanda global se concentra por aqui. Syngenta, Bayer e Basf são as líderes em defensivos no País; a americana Monsanto, no entanto, tem uma presença bastante relevante em sementes.

O faturamento da Monsanto no Brasil foi de US$ 1,7 bilhão no último ano fiscal, ou cerca de R$ 6 bilhões, considerado o câmbio a R$ 3,50. A Bayer Crop Science, divisão de agronegócio da alemã, faturou R$ 7,46 bilhões em 2015 - valor equivalente a 73% da receita da subsidiária brasileira da alemã.

Sob pressão. A oferta da Bayer ocorre num período de pressão sobre as empresas do agronegócio, com três anos consecutivos de queda dos preços das commodities. Como resultado, empresas produtoras de sementes cortaram os preços, reduziram o investimento em pesquisa e demitiram funcionários.

Produtores, por sua vez, temem que, com a consolidação do setor, a concorrência seja prejudicada, resultando em elevação de preços e menos opções de insumos.

Na avaliação do Banco Bernstein, a aquisição pode não ser a melhor alternativa. “A compra da Monsanto pela Bayer não faz sentido financeiramente. Uma fusão seguida por divisão, no entanto, nos moldes da operação entre Dow e DuPont, criaria mais valor”, afirma o analista Jeremy Redenius, apontando que a divisões de sementes e agrotóxicos poderia ser separada. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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