Montadora Chery chega ao Brasil com plano de construir fábrica

Companhia chinesa está investindo US$ 35 milhões no início de suas operações, com 30 lojas já abertas no País

Michelly Chaves Teixeira, da Agência Estado,

20 de agosto de 2009 | 15h26

A montadora Chery desembarca nesta quinta-feira, 20, oficialmente ao Brasil com 30 lojas em todo o País e uma meta de abranger 55 revendas em 14 Estados até o fim de 2009. Serão mais de 70 concessionárias da fabricante em 2010. Mas o plano mais ambicioso da companhia chinesa, ainda em fase de estudos, é a construção de uma fábrica no Brasil.

 

Segundo o presidente da Chery no Brasil, Luis Curi, a alta cúpula da montadora na China já iniciou os estudos de viabilidade econômica para construção de uma fábrica em solo brasileiro no curto prazo. A ideia seria iniciar as operações desta unidade em 2012, o que exigiria negociações e entrada dos papéis já no ano que vem. Mas a construção, que demandaria algo entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões, depende da comprovação de que "o custo de se produzir no Brasil fique muito perto do custo da China".

 

Ele reconhece que é desafiador chegar a uma fórmula que torne a fabricação no Brasil tão vantajosa financeiramente que a do país asiático. Mas destaca que, além de conferir mais competitividade à empresa, pois derrubaria despesas com logística, esta seria uma maneira de contornar impostos com importação da ordem de 35%. "O Brasil é um dos poucos mercados que crescem no mundo, está entre os maiores no ranking mundial, então é interessante estar presente no País, seja como importadora ou fabricante local", afirmou o executivo à Agência Estado.

 

A Chery estreia nesta quinta-feira no Brasil com o Tiggo, utilitário esportivo que chega completo de fábrica a R$ 49.900,00. O modelo já é comercializado em países como Argentina, Venezuela, Equador, Colômbia, Uruguai, Chile e Peru. A estimativa de vendas do Chery Tiggo no Brasil em 2009 é da ordem de 2,5 mil unidades. Considerando os outros três modelos que serão apresentados ao mercado nacional ainda este ano, a fabricante espera vender 4,5 mil veículos. Em 2010, a expectativa é chegar aos 10 mil carros comercializados no País.

 

Curi considera esta meta de vendas bastante factível, ainda mais considerando que a empresa já nasce com 30 revendas no País. Ele descarta que a chegada da montadora com um mês de atraso e quase no fim do período de descontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduza o interesse dos consumidores ou atrapalhe os planos da montadora de origem chinesa.

 

"Nossos planos são de longuíssimo prazo: o IPI e a volatilidade do dólar não são vetores determinantes para o projeto da Chery no Brasil", enfatizou o executivo. Curi também considera que o pior da crise já passou e o Brasil agora tem condições de "andar com suas próprias pernas".

 

"Estou convicto de que o mercado pode caminhar sozinho, pois foi menos afetado que outros países pela crise e o mercado de crédito está voltando a patamares antigos, com taxas atrativas", destacou, observando que o Brasil terá um "excelente" quadrimestre e 2010 "será ainda melhor".

 

Para o início de suas operações no Brasil, a Chery está investindo US$ 35 milhões. Este valor compreende a implantação da rede Chery de concessionárias, importação dos carros, campanha de divulgação da marca e lançamento do Chery Tiggo. Além disso, inclui a construção de uma central de operações em Salto, interior paulista, onde a empresa fez seu "show room", os escritórios dos executivos e seu estoque de peças. A Chery começa no Brasil com um quadro reduzido, com 28 funcionários, já que atuará como importadora neste momento. Dentre as suas estratégias de atuação, conforme o presidente da subsidiária, está uma "entrada forte" nas regiões Norte e Nordeste.

 

Fundada na China em 1997, a Chery tem 15 unidades produtivas em 11 países - China, Ucrânia, Tailândia, Vietnã, Síria, Rússia, Malásia, Uruguai, Indonésia, Egito e Irã. A montadora fabrica mais de 17 modelos e emprega aproximadamente 22 mil funcionários em todo o mundo. Sua capacidade de produção anual é de 650 mil carros, 650 mil motores e 400 mil transmissões.

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