Toyota/ Divulgação
Toyota/ Divulgação

Montadoras ganham 3 meses para concluir produção de carros mais poluentes

Ibama deu prazo até março para finalizar a fabricação de modelos incompletos que não seguem os novos padrões de emissão mais rígidos, que começaram a valer este mês

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2022 | 14h57
Atualizado 06 de janeiro de 2022 | 12h39

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu mais três meses para as montadoras finalizarem carros cuja produção não seria mais aceita neste ano em razão dos novos limites de emissão do Proconve, o programa que visa reduzir a poluição lançada à atmosfera pelos veículos.

O adiamento atende a pedido das montadoras, representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que vinham apontando dificuldade de concluir a produção dentro do prazo do programa diante da falta de peças, sobretudo componentes eletrônicos - um problema global -, nas linhas de montagem.

A escassez mundial de chips, produzidos na Ásia, afeta fabricantes de todos os setores ligados de alguma forma à tecnologia, mas teve efeito particulamente pronunciado nas montadoras de veículos. No Brasil, General Motors, Volkswagen, Fiat, Honda, Toyota e outras montadoras precisaram paralisar a produção em algum momento desde 2020. Além da falta de componentes, o setor enfrenta também uma escalada dos preços do frete marítimo, uma das consequências da pandemia de covid-19. Com isso, montadoras reduziram o ritmo de produção e os preços dos veículos novos dispararam.

Apesar dos argumentos contrários colocados pelo Ministério Público de que a transição à nova fase do Proconve era conhecida há três anos, de forma que as montadoras poderiam ter se antecipado nesse período, o Ibama abriu exceção aos carros que, por falta de componentes específicos, não tiveram produção concluída até o último dia de 2021. 

Nesses casos, a indústria poderá finalizar os automóveis até 31 de março, com venda deles liberada nos três meses seguintes - ou seja, até o fim de junho.

Como a confirmação do novo prazo só veio na última quinta-feira, com a publicação da instrução normativa do Ibama, montadoras com disponibilidade de peças correram para finalizar carros incompletos na reta final de 2021, adiando em alguns casos o recesso de fim de ano nas fábricas.

Alguns fabricantes, como a GM, relatam não ter deixado nenhum carro da tecnologia anterior a ser completado neste ano.

A produção do setor no mês passado só será revelada na sexta-feira pela Anfavea. Em novembro, a montagem de veículos, já refletindo essa corrida contra o tempo, foi, até agora, a maior do ano passado, com 206 mil unidades fabricadas, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Apesar de a nova regra ambiental ter entrado em vigor em 2022, outra mudança prevista para o ano foi adiada após argumentação das montadoras: a exigência de itens de segurança como o controle eletrônico de estabilidade, que ajuda a evitar derrapagem dos veículos. A norma foi adiada pelo governo para 2023, após pedidos da Anfavea. A justificativa foi a falta de tempo hábil para o desenvolvimento de novas tecnologias de segurança para os veículos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.