Montadoras têm recorde de vendas e produção em julho

Depois de um primeiro semestrerecorde que levou o Brasil a ganhar uma posição no rankingmundial de produtores de veículos, o setor automotivobrasileiro teve em julho o melhor mês da história de produção evendas, mostrando que a desaceleração prevista para a segundametade do ano ainda não começou. O arrefecimento ainda deve vir, segundo a AssociaçãoNacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), emmeio ao aperto monetário e fiscal do governo e a uma base fortede comparação em 2007, mas não em ritmo suficiente para impedirque 2008 tenha novos números recordes. Por ora, refletindo as boas condições da economia, comaumento do emprego e da renda, e o acesso a crédito e amplosprazos de financiamento, as vendas internas do setor avançaram12,6 por cento na comparação mensal e 32,6 por cento na anual,para 288,1 mil unidades. No ano, as vendas subiram 30,4 porcento, para 1,7 milhão de unidades. A produção de veículos em julho subiu 3,5 por cento emrelação a junho e 19,8 por cento ante julho de 2007,totalizando 320,1 mil unidades. No acumulado do ano, houveavanço de 21,8 por cento, para 2,01 milhões de veículos. "A economia segue bem... o aumento recente do juro aindanão chegou na ponta do varejo", disse Jackson Schneider,presidente da Anfavea. Ele divulgou o novo ranking do setor, mostrando que emtermos de produção o Brasil passou da sétima posição em 2007para a sexta no primeiro semestre, ultrapassando a França. Osprimeiros colocados são Japão, China e Estados Unidos. Esteúltimo foi ultrapassado pela China. PERSPECTIVAS A Anfavea continua prevendo números recordes para ofechamento do ano --alta de 24,2 por cento das vendas, e de 15por cento da produção--, mas mantém a visão de uma diminuiçãodas taxas de crescimento nos próximos meses. "Vemos uma expansão de uma maneira mais cadenciada... O queé bom, porque crescer sempre a taxas de 30 por cento é exigirmuito de uma cadeia muito complexa como a automotiva, na qual aresposta dos investimentos é lenta", afirmou Schneider. "O aumento do juro demora para chegar na ponta, mas elechega. E agora estaremos também comparando com uma base fortede 2007... Mas o crescimento se mantém, não vamos ter quedas." EXPORTAÇÕES As exportações, por outro lado, continuam sendo o pontofraco do setor, em razão do dólar fraco e agora da crisenorte-americana. Elas caíram 10,7 por cento em julho ante junho e 22,5 porcento na comparação anual, para 64,6 mil unidades. No ano, asvendas têm queda de 3,3 por cento, a 445,6 mil unidades. As vendas externas de veículos e máquinas agrícolasrecuaram 3,8 por cento em julho e 2,9 por cento na comparaçãoanual, para 1,23 bilhão de dólares. No ano, no entanto, há altade 9,5 por cento, para 8,12 bilhões de dólares. Segundo Schneider, vêm caindo principalmente as exportaçõespara México, Venezuela e União Européia. Parte da queda em volume vem sendo contrabalançada por umaumento da venda de produtos de maior valor agregado, comomáquinas agrícolas, tratores e ônibus. Em julho, a produção de máquinas agrícolas subiu 3,1 porcento sobre junho e 17,2 por cento ano a ano, a 7,6 milunidades. As exportações cresceram 7,9 por cento mês a mês e 5por cento na comparação anual, a 2,6 mil unidades.

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