Moody’s ameaça rebaixar nota dos EUA um dia após calote da dívida

Agência não acredita que rating dos EUA voltará a ser Aaa se país deixar de pagar sua dívida; avaliação é de Steven Hess, vice-presidente do grupo de crédito soberano da Moody's

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

14 de julho de 2011 | 15h08

Se eventualmente o governo dos EUA deixar de pagar uma dívida, o rating do país pode ser cortado no dia seguinte, segundo Steven Hess, vice-presidente e diretor sênior do grupo de crédito soberano da agência de classificação de risco Moody's.

As agências de classificação de risco têm como ganha-pão a concessão de ratings – ou classificações – a empresas, governos ou qualquer entidade que emita títulos para serem negociados no mercado. Essas classificações são a opinião da agência sobre a capacidade do emissor desses títulos de honrar seus compromissos com os investidores.  

"Como achamos que o rating provavelmente não voltará para Aaa (se houver falta de pagamento), podemos rebaixá-los no dia seguinte", disse Hess em uma entrevista. Um dos cenários que ele prevê, no caso de os EUA deixarem de pagar qualquer dívida, seria o rebaixamento na nota do país em um grau e a atribuição de perspectiva negativa para o rating, isso apenas um dia depois do evento.

Essa revisão daria tempo para a Moody's analisar os potenciais efeitos de longo prazo sobre a dívida norte-americana, disse Hess. As questões de longo prazo incluem o impacto da falta de um pagamento sobre os custos futuros de empréstimo e mudanças regulatórias implementadas para evitar futuros defaults.Hess salientou que a Moody's ainda não crê que o governo dos EUA deixará de pagar sua dívida.

Na última quarta-feira, a agência anunciou que colocou em revisão para potencial rebaixamento o rating soberano dos EUA,  citando como motivo a possibilidade de o limite de endividamento do governo federal norte-americano não ser elevado em momento oportuno e, dessa forma, levar o país a declarar default em suas obrigações de dívidas. 

A Moody's informou que também colocou os ratings de instituições financeiras diretamente ligadas ao governo dos EUA em revisão para potencial rebaixamento. Entre elas, estão a Fannie Mae e a Freddie Mac. "A revisão no rating dos bônus do governo dos EUA foi provocada pela possibilidade de o teto de endividamento não ser elevado a tempo de evitar a ausência de pagamento dos juros ou do principal de bônus e notas pendentes. Portanto, há um pequeno, porém crescente, risco de um default de vida curta", disse a agência.

Depois do anúncio, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China Hong Lei, fez uma declaração pedindo para que o país adotasse medidas mais responsáveis a fim de proteger os interesses dos investidores nos Treasuries. A China é o maior investidor estrangeiro em títulos dos EUA. Nesta quinta-feira, as bolsas europeias abriram em queda devido ao alerta da Moody's.

Em abril deste ano, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor's, havia reafirmado o rating de crédito soberano de longo prazo AAA dos EUA e anunciado que reduziu a perspectiva da classificação de estável para negativa.  "Mais de dois anos depois do começo da crise recente, os formadores de política dos EUA ainda não chegaram a um acordo sobre como reverter a recente deterioração fiscal ou solucionar as pressões fiscais de longo prazo", comentou na ocasião Nikola Swann, analista de crédito da S&P. As informações são da Dow Jones.

(Texto atualizado às 15h40) 

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