Moody’s coloca rating de Portugal em revisão para possível corte

Agência de rating citou incertezas quando à saúde da economia do país no longo prazo, que está sob o risco de ser atingida pelos programas de austeridade fiscal do governo

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

21 de dezembro de 2010 | 08h26

A agência de classificação de risco Moody's colocou o rating A1 de longo prazo de Portugal em revisão para possível rebaixamento, citando incertezas quando à saúde da economia do país no longo prazo, que está sob o risco de ser atingida pelos programas de austeridade fiscal do governo. A agência citou ainda preocupações sobre a habilidade de Portugal acessar o mercado de capitais privado.

"A Moody's acredita que essas preocupações justificam a colocação do rating de Portugal para possível rebaixamento e que o rating poderia ser ajustado em baixa em uma ou duas notas", disse a agência em nota.

O euro cedeu com a notícia no início do dia, mas devolveu e operava em alta às 7h43 (de Brasília), cotado a US$ 1,3159, de US$ 1,3120 no fim do dia ontem em Nova York. A Bolsa de Lisboa operava em alta de 0,72%.

A Moody's disse haver preocupações também quanto ao impacto na dívida do governo de novo suporte ao setor bancário, o que pode ser necessário para que os bancos retomem o acesso ao mercado privado de capitais.

"Na opinião da Moody's, a solvência de Portugal não está em questão", disse o vice-presidente e analista chefe para Portugal da agência, Anthony Thomas. "Mas a provável deterioração na sustentabilidade da dívida no médio prazo e as atuais preocupações sobre a habilidade da economia em fazer frente à consolidação fiscal e a desalavancagem do setor privado, significa que sua perspectiva pode não ser mais consistente com o rating A1", acrescentou.

A agência disse que a decisão de colocar o rating em revisão foi provocada por preocupações quanto ao fraco crescimento econômico, em consequência da frágil demanda doméstica. A Moody's disse que as pressões deflacionárias, como resultado da consolidação fiscal e da desalavancagem dos bancos, pode acrescentar pressão contrária ao crescimento do PIB.

A Moody's atribuiu ainda a decisão a temores sobre o custo que o governo português terá de pagar para preencher suas necessidades de financiamento nos próximos anos. "Os mercados continuam abertos ao governo português, mas a um custo elevado, o qual, se mantido, irá aumentar substancialmente os custos do serviço da dívida ao longo do tempo", afirmou a agência.

Na revisão, a Moody's disse que irá considerar primeiro as perspectivas para o crescimento econômico, em particular, a possibilidade de reformas feitas nos mercados de trabalho e de produtos influenciarem positivamente o potencial de crescimento. A agência informou que vai monitorar também o programa de financiamento do governo para ver se continuará capaz de acessar o mercado de capitais e a qual preço.

As informações são da Dow Jones. 

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