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Moody's rebaixa nota da Petrobrás e mantém perspectiva negativa

Moody's rebaixa nota da Petrobrás e mantém perspectiva negativa

Agência diz que decisão reflete a alta alavancagem - relação entre dívida e patrimônio - da empresa e a percepção de que ela só vai diminuir depois de 2016

Danielle Chaves, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 17h33

Com alto endividamento e cenário internacional desfavorável, a Petrobrás teve sua avaliação de crédito rebaixada pela agência de classificação de risco Moody’s. A agência atribuiu a decisão à uma piora nos indicadores financeiros, pressionados pela desvalorização cambial e pela “incapacidade” de repassar os custos e perdas acumulada nos últimos três anos com a defasagem no preço dos combustíveis.

A decisão reforça o temor da perda do grau de investimento da companhia (nota considerada segura pelos investidores), além de ampliar as críticas à gestão financeira da Petrobrás a cinco dias das eleições.

A agência revisou a classificação de Baa1 para Baa2. Na escala da Moody’s, assim como na da agência Fitch, são necessários mais dois rebaixamentos para que a companhia perca o grau de investimento. Já a nota concedida pela Standard&Poor’s a Petrobrás está no limite do descredenciamento.

“Quando há alta alavancagem, resta pouca flexibilidade para lidar com uma situação em que os indicadores são diferentes do planejado. Quanto mais alavancagem, mais vulnerável fica a companhia”, diz a analista da Moody’s, Nymia Almeida.

A alavancagem é medida pela relação entre o endividamento e a geração de caixa da empresa. A estatal espera fechar o ano com um nível de 44,7%, bem acima da meta estabelecida pelo conselho de administração, de 35%. O patamar não é atingido desde o terceiro trimestre de 2013. Em seu plano estratégico, divulgado em fevereiro, a Petrobrás estima que o indicador iniciará uma trajetória de queda a partir do próximo ano.

A Moody’s questiona as projeções e avalia que somente em 2017 haverá melhora. “A alavancagem ainda vai piorar e demorar bastante até reduzir. Não há um fato material que possa mudar nossa visão no curto prazo”, indicou Nymia.

Governo. Em nota, a estatal informou que o rating, ainda grau de investimento, é “embasado por sua larga base de reservas e dominância na indústria do petróleo no Brasil”, destacando os avanços de produção no pré-sal. A Petrobrás avaliou que a nota considera um “suporte extraordinário do governo federal num cenário de estresse”.

Fontes do conselho de administração dizem que o colegiado aguardava essa posição. “Não significa que o conselho quisesse, é claro. Mas o conselho estava de olho em um possível rebaixamento há muito tempo”, afirmou Silvio Sinedino, representante dos funcionários.

Já outro conselheiro classifica a situação como “terrível” e avalia que, diante da tensão eleitoral, a Petrobrás não deve alterar seu plano estratégico até o resultado das urnas.

A Moody’s atribuiu o rebaixamento à “incapacidade de repassar os custos relacionados aos derivados de petróleo importados, à desvalorização da moeda local e ao agressivo programa de investimentos”.

A queda na cotação do barril de petróleo, negociado a US$ 86, também interferiu. A agência estima que a situação desfavorável pode ser duradoura, em um patamar de US$ 70.

A agência negou relação com o calendário eleitoral. Mas as incertezas do período pressionam ainda mais o câmbio, que interfere em cerca de 70% da dívida da companhia. As pesquisas eleitorais também influenciaram a queda de 6,9% nas ações preferenciais da companhia no pregão desta terça-feira, 21.

A analista Karina Freitas, da Concórdia Corretora, classificou como “atípico” o rebaixamento num período “conturbado” de eleições. “O fato de estar se posicionando agora, tendo recentemente revisado a perspectiva do rating do Brasil, pode sinalizar preocupação efetiva e mostrar que as coisas precisam melhorar de alguma forma.” 

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