Moody's reitera que EUA precisam de plano para dívida para manter AAA

Para analista da agênica de rating EUA parecem não ter um plano para lidar com sua situação fiscal

Danielle Chaves, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 11h28

O governo dos EUA precisa articular um plano confiável para lidar com seu crescente perfil de dívida se quiser manter seu rating de crédito AAA. A afirmação foi feita por Steve Hess, o principal analista de crédito soberano da Moody's para EUA, Leste Asiático e Austrália/Ásia, em uma entrevista à Dow Jones.

O comentário indica que a opinião da Moody's sobre os EUA mudou levemente desde que a agência de classificação de risco alertou em março sobre a necessidade de ação e sinaliza que um sentido de urgência está sendo exigido do governo norte-americano para lidar com o aumento das necessidades de empréstimos e dos custos dos juros.

Segundo Hess, se as projeções orçamentárias do governo dos EUA para a dívida como porcentagem da produção econômica nacional e para os pagamentos de juros como porcentagem da receita se materializarem nos próximos anos, o triplo A da maior economia do mundo vai entrar em intenso escrutínio.

"Se as projeções se materializarem, então em algum ponto nós teremos de ao menos refletir se isso é um AAA", disse Hess, acrescentando que tal movimento não necessariamente levaria a um rebaixamento automático. A perspectiva para o rating dos EUA continua estável.

O analista destacou que os EUA parecem não ter um plano para lidar com sua situação fiscal e muito vai depender da reação política doméstica às recomendações da comissão de responsabilidade fiscal do presidente Barack Obama em dezembro.

Hess também afirmou que, em contraste aos EUA, a saúde do crédito nos países asiáticos permanece amplamente positiva e a resiliência deles tem sido destacada pela crise de dívida da Europa, cujo pico parece ter ficado para trás.

Com relação ao Japão, a economia desenvolvida mais altamente endividada, fatores mitigantes como o superávit em conta corrente e a grande poupança interna deixam a Moody's confortável com o atual rating do país. No entanto, se as agitações políticas contrariarem os esforços de redução das necessidades de empréstimos do governo japonês, aquele país também poderá correr o risco de uma revisão de rating em algum momento, segundo Hess.

Sobre a China, Hess afirmou que a Moody's não espera uma forte desaceleração e, se isso acontecer - na forma de desaceleração do setor imobiliário ou aumento nas dívidas ruins -, o governo chinês estará bem equipado para responder. "Nós achamos que o risco de uma severa desaceleração chinesa não é tão grande", afirmou o analista.

As informações são da Dow Jones.

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