Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Morre aos 88 anos fundador da Randon

Empresário Raul Anselmo Randon teve complicações após cirurgia feita em dezembro em São Paulo

Redação, O Estado de S. Paulo

05 Março 2018 | 05h00

O empresário Raul Anselmo Randon morreu na noite de sábado aos 88 anos, após complicações de uma cirurgia feita em dezembro. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Ao lado do irmão Hercílio, fundou em 1949 uma ferraria e fez da Randon uma das maiores fabricantes do mundo de retroescavadeiras, reboques, caminhões especiais e autopeças com receitas de R$ 3 bilhões (em 2017, até setembro). O grupo Randon é composto por nove empresas e tem 7.800 funcionários no Brasil e no exterior.

Raul Randon deixa a esposa, Nilva D’Agostini Randon, com quem fora casado por 62 anos, cinco filhos, dez netos e uma bisneta. O velório ocorreu ontem em Caxias do Sul e a cerimônia continuará hoje a partir das 7h30, na Igreja São Pelegrino. O empresário será cremado – momento reservado aos familiares.

Descendente de italianos, nasceu na cidade catarinense de Tangará, mas fez a vida e os negócios no Rio Grande do Sul. Era figura conhecida no Estado e especialmente em Caxias do Sul, onde era praticamente uma celebridade. Raul teve origem humilde e começou a trabalhar cedo, aos 14 anos, na oficina do pai. Mesmo após acumular fortuna, era conhecido por manter hábitos simples.

Até setembro do ano passado, ele ia praticamente todos os dias na empresa. Mas a partir de outubro sua rotina passou a ser pontuada por visitas aos consultórios médicos, diz o atual presidente da Randon, David Randon, filho de Raul. “Ele sempre foi a base de tudo na empresa, uma referência, uma pessoa que apostava nos sonhos de todos que estavam ao seu lado, seja da família ou um funcionário.” 

David conta que o maior hobby do pai eram as rodadas de carteado com os amigos, especialmente o jogo de canastra, e a fazenda em Vacaria, onde tinha plantação de maçã, uva e soja, criação de gado e porco e produção de queijo. Gostava de circular pela propriedade de 700 hectares trajando botina, calça jeans e boina. O local era o refúgio aos finais de semana, onde misturava lazer e negócios.

Nas redes sociais, políticos e amigos fizeram várias homenagens ao empresário, como o presidente Michel Temer e o governador do Rio Grande do Sul, Ivo Sartori. “O Rio Grande do Sul e o Brasil perdem uma grande liderança empreendedora, cuja simplicidade era sua principal característica, tanto que estava sempre presente no chão de fábrica”, disse Sartori.

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