Mortes de abelhas voltam a causar prejuízos no interior de São Paulo

Suspeitas recaem sobre os agrotóxicos usados em lavouras, como as de cana e laranja; Brasil caiu do 5º para o 10º lugar entre os maiores países exportadores de mel

Rene Moreira, Especial para o Estado

24 de julho de 2014 | 10h26

Apicultores do interior paulista voltaram a ter prejuízos com a morte de abelhas. A situação tem se repetido com frequência nos últimos anos e dessa vez é enfrentada na região de Leme, onde novamente a principal suspeita recai sobre os agrotóxicos usados em lavouras, como as de cana-de-açúcar e laranja. Estimativa da associação local aponta que mais de 200 colmeias já foram perdidas desde o início deste ano.

O sumiço dos insetos é visto como responsável pelo Brasil ter caído do 5º para o 10º lugar entre os maiores países exportadores de mel.

Nos apiários é comum ver colmeias completamente vazias. Muitas que ainda estão habitadas já estão contaminadas e são consideradas perdidas.

Apicultores contam que as abelhas ficam debilitadas após serem atraídas às lavouras pela açúcar da cana e voltarem sob o efeito dos produtos agrícolas usados nas plantações. A partir daí vão morrendo e as colmeias deixando de produzir mel e própolis.

Já no caso da laranja, o que atrai o inseto é o néctar das flores, mas a forma de contaminação seria a mesma: os agrotóxicos usados hoje em larga escala para manter os pomares livres de pragas. Antonio Tadeu Pereira, que preside a associação dos apicultores de Leme, confirma que as abelhas estão morrendo e tudo aponta na direção dos produtos químicos. "Somente não sabemos qual substância estão usando", diz.

O problema não é novidade na região e mortes de abelhas em larga escala já foram registradas em outros municípios próximos, como Gavião Peixoto (SP), que ano passado viu mais de 4 milhões desses insetos desaparecerem. Laudos chegaram a apontar como causa um inseticida usado na cana.

De acordo com o Sindicato Rural de Araraquara (SP), com o fim da queima da cana foi preciso ampliar as aplicações aéreas de agrotóxicos, porque antes o fogo matava todas as pragas. Entretanto, a entidade diz não ter uma explicação oficial que relacione os produtos com a morte das abelhas.

Números. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o Estado de São Paulo foi o maior exportador de mel do País no primeiro semestre deste ano. Foram contabilizadas 4,7 mil toneladas do produto, que garantiram aos apicultores US$ 18 milhões. Porém, se as abelhas continuarem desaparecendo, os reflexos poderão ser sentidos em pouco tempo.

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