Renan Pessanha/Divulgação
Renan Pessanha/Divulgação

Concessionária de carros ‘premium’ Motor Group Brasil quer dobrar de tamanho em 2022

Formado após fusão de duas redes, o grupo espera passar de 11 para 20 lojas este ano e elevar o faturamento de R$ 1,3 bilhão para R$ 5 bilhões em quatro anos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 14h58

RIO - O Motor Group Brasil, rede de concessionárias especializada em veículos premium e off-road formada a partir da fusão do Grupo Via – que tem entre os sócios Luis Fernando Porto e Sérgio Augusto de Resende, da locadora de carros Unidas – e do Motor Group Vitória quer dobrar de tamanho ainda este ano. Embora a venda de veículos (carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus) tenha crescido apenas 3% em 2021, somando 2,12 milhões de unidades, ainda longe dos quase 3 milhões de 2019, conforme dados da Fenabrave, entidade que representa os revendedores, a nova empresa aposta no aumento da participação do segmento de alto valor.

Os dados sobre as vendas já apontavam essa tendência. Os SUVs (utilitários-esportivos) foram destaque nas vendas, enquanto os carros populares, que já responderam por mais da metade do mercado nacional, vêm perdendo espaço. Um símbolo da nova configuração do mercado foi a decisão da Fiat e da Volkswagen de encerrar a produção do Uno e do Gol, respectivamente, históricos campeões de vendas. 

Por isso, a estratégia de crescimento do Motor Group Brasil se sustenta no aumento da demanda. De um ponto de vista mais estrutural, o presidente da empresa, Renato Bello, ressalta que, no México, o segmento “premium” responde por 4,5% do mercado, enquanto, no Brasil, a fatia está abaixo de 3,0%. Além disso, do ponto de vista da ocupação regional, a aposta é num impulso com o aumento da renda de produtores rurais, beneficiados pelo câmbio favorável e pela elevada cotação das matérias-primas agrícolas, como soja e milho, mesmo que a produção em 2021 tenha sido afetada pelo clima.

A expectativa de crescimento passa também por mudanças nos hábitos do consumidor. Para Bello, ainda há uma percepção de que os veículos “premium” são para os muito ricos, mas alguns carros têm preços próximos das versões mais completas das marcas “de varejo”.

“Se acertarmos a linha da economia, vejo potencial de ‘upside’, de dobrar as vendas em relação ao total”, disse Bello.

Com a fusão, o Motor Group Brasil já nasce com 11 lojas, representando veículos das marcas BMW, Mitsubishi, Suzuki, MINI, Volvo, Audi, DAF Caminhões, além das motos Triumph, Ducati e BMW Motorrad. As duas empresas tiveram faturamento combinado de R$ 1,3 bilhão em 2021. A meta é chegar a cerca de 20 lojas no fim do ano, pavimentando o caminho para, em quatro anos, atingir faturamento anual em torno de R$ 5 bilhões.

As 11 lojas Motor Group Brasil estão nos quatro Estados do Sudeste. A expansão foi planejada para o País como um todo, mas Bello destacou o foco especial nas regiões Centro-Oeste e Norte, diante da estratégia de aproveitar o componente regional do aumento da demanda.

“Vemos possibilidades interessantes, em praças às vezes um pouco mais esquecidas, onde entendemos que existe possibilidade de levar marcas ‘premium’”, disse Bello.

A estratégia passa por futuras aquisições. Segundo o executivo, o Motor Group Brasil já tem negociações em curso nessas regiões, onde, com frequência, as vendas são dominadas por concessionárias avulsas ou empresas locais, com redes de menor porte.

“O processo de consolidação vai se fazer com novas nomeações de montadoras, mas não existem muitas praças abertas”, afirmou Renato Bello, presidente da nova empresa, numa referência à possibilidade de inaugurar lojas. “Para crescer como queremos, será através de aquisição de concessionárias e de grupos, e também de fusões, desde que a gente esteja no controle”, completou o executivo.

Bello minimizou problemas conjunturais, como o ciclo de elevação dos juros pelo Banco Central (BC). A alta de juros, embora freie a demanda, não chega ao ponto de atrapalhar os planos de expansão, na visão do executivo.

Da mesma forma, o atraso nas linhas de produção de veículos, por causa da escassez de insumos como semicondutores, não assusta Bello. Se, por um lado, uma demora muito grande na entrega dos produtos pode atrapalhar o crescimento da receita, por outro, a dinâmica entre oferta e demanda permitiu uma melhora nas margens, com “vendas mais saudáveis”.

“Em 2022 ainda faltarão carros, motos e caminhões. Será um ano ainda desafiador, mas a pandemia deixou um aprendizado para montadoras e concessionários, de ter uma equalização mais afiada entre oferta e demanda”, afirmou Bello.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.