Movida/Divulgação
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Após compras em série em 2021, dona da Movida tem R$ 12 bilhões para investir 

Simpar, que também controla a JSL e a Vamos, prevê colocar em prática maior plano de investimentos de sua história ao longo deste ano

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 11h51

Enquanto muitas empresas ficaram reticentes com a evolução da pandemia em 2021, a Simpar decidiu ir às compras. Somente no ano passado foram 11 aquisições que somaram mais de R$ 2 bilhões em investimentos. Porém, Fernando Simões, presidente da holding que controla empresas como a JSL, de logística, as locadoras Movida e Vamos e a rede de concessionárias Original, afirma que a empresa não vai parar por aí e prepara o maior pacote de investimentos da história da Simpar. 

Somente em investimentos para bens de capitais e crescimento orgânico da companhia, a Simpar já separou R$ 12 bilhões. Boa parte desse dinheiro vai para a compra de novos caminhões, maquinários e veículos. Trata-se de um valor quatro vezes maior do que o aportado em 2020 e 36% maior do que o registrado no ano passado. De acordo com Simões, nesses valores não estão inclusas novas aquisições planejadas para este ano. 

“Se a oportunidade for boa, sempre haverá dinheiro para o negócio. Podemos ir atrás de mais”, afirma o presidente da Simpar. A companhia está com o caixa cheio. Somente em 2021, a empresa captou R$ 21 bilhões, sendo R$ 18 bilhões em novas dívidas, R$ 1 bilhão em rolagem de débitos e outros R$ 2 bilhões com o IPO (oferta inicial de ações) e o follow-on (oferta secundária) da Vamos. No mercado ainda se ventila novos IPOs de suas controladas, como a financeira BBC. 

Mesmo com toda essa captação, a empresa tem gerado caixa suficiente para não aumentar o seu nível de alavancagem. De 2016 para 2021, a relação entre a sua dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu de 5 vezes para 3,4 vezes. A meta da companhia é que esse patamar continue caindo ano após ano até ficar inferior a 3 vezes.

De acordo com os resultados divulgados nesta quarta-feira, 23, a Simpar chegou a uma receita de R$ 11 bilhões em 2021, alta de 58,4% em comparação ao ano anterior. O Ebitda, por sua vez, aumentou em 80,6% na comparação anual e chegou a R$ 4,2 bilhões. O lucro líquido do período foi de R$ 367 milhões. Com esses números em mãos e todos os investimentos a se fazer, Simões enxerga que existe um espaço para a companhia alcançar uma receita de R$ 30 bilhões até 2025. 

Vias de crescimento

De acordo com o executivo, todas as empresas possuem um grande espaço para crescer organicamente. Mas ele enxerga que a JSL é uma empresa que tem um grande potencial para crescer dada a falta de concentração do mercado de logística. Segundo contas da empresa, mesmo sem do a líder, a JSL possui cerca de 1,5% mercado e as dez primeiras consolidam uma fatia de 8 a 9% de participação. 

“Nos Estados Unidos, as dez maiores têm cerca de 34% do mercado; na Europa, são 32%. Há um espaço muito grande para crescer tanto organicamente quanto por aquisições”, diz Simões.

Outra frente que vai ganhar mais importância dentro da Simpar é o braço financeiro BBC. A empresa contratou o executivo Paulo Caffarelli, ex-presidente do Banco do Brasil e da Cielo, para ampliar os serviços da companhia, especialmente na concessão de crédito para clientes em busca de compras de veículos e maquinários.

Diante dessas oportunidades, o BTG acredita que a empresa possui um valor a se destravar na Bolsa. Os papéis da empresa, de acordo com o banco, têm um potencial de valorização acima de 30% principalmente por conta de suas participações nas empresas listadas na Bolsa, como Movida, Vamos e a JSL. “Vemos valor oculto relevante nas subsidiárias não listadas da Simpar, pois todas elas recentemente anunciaram movimentações estratégicas interessantes”, escreveram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Aline Gil.

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