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Movimento do câmbio vem de instabilidade externa, diz Dilma

Segundo a presidente, houve uma modificação na relação do dólar com todas as moedas, não só o real

Lisandra Paraguassu, da Agência Estado,

22 de setembro de 2011 | 15h04

A presidente Dilma Rousseff avaliou que a instabilidade na cotação das diversas moedas hoje é mais um movimento de instabilidade dos mercados internacionais. "Eu tenho a declarar que esses movimentos de instabilidade das moedas hoje - porque não foi só o real, houve uma modificação na relação dólar-demais moedas, onde o dólar vinha se desvalorizando e as outras moedas se valorizando - é mais um movimento de instabilidade dos mercados internacionais", disse em entrevista à imprensa brasileira, lembrando que, nos últimos dias, "houve uma fuga para segurança" e por isso esse movimento de cotação das moedas se inverteu com a valorização do dólar.

Dilma disse ainda que, mesmo considerando importante e entendendo porque é relevante para alguns países expandirem sua política monetária e colocarem seus juros a zero, esse fato cria uma "competitividade indevida" para a economia desses países. "Indevida porque cria uma valorização da moeda dos países que não fizeram isso extremamente adversa. Porque nós teremos uma valorização do real que não é sistêmica, mas alterada por fatores que não são aqueles baseados no mercado, mas na política", disse.

A presidente afirmou que neste momento de maior volatilidade e nervosismo dos mercados, a atitude do governo é de calma e tranquilidade e de "estabilizar todo o processo". "Tanto o ministro Tombini (presidente do Banco Central, Alexandre Tombini) quanto o ministro Mantega (ministro da Fazenda, Guido Mantega) estão tomando as providências cabíveis, mas nós não estamos ainda tomando nenhuma medida inusual", disse.

Segundo ela, as medidas são as de sempre: "swaps, eventualmente comprando ou vendendo dólares em quantidade quando tem problema no mercado e acreditando que as coisas vão se ajustar". "Mas quero dizer que estamos prontos, completamente prontos", acrescentou a presidente.

Dilma avaliou que o que tem acontecido nos últimos dias é uma percepção pelo mercado de que é necessário que se resolva a questão da Grécia. "Não se pode mais protelar o problema. Isso é importante não só pela Grécia mas para evitar o contágio", disse.

Ela destacou que os mercados, no curto prazo, são assim, mesmo. "Eles têm essa volatilidade, como sobem, eles descem. A política do Banco Central e a orientação do ministro Guido é de estabilizar o mercado brasileiro", completou.

'Tendência internacional é deflacionária'

Dilma Rousseff avaliou ainda que "tudo indica que a tendência internacional é deflacionária". "Mais cedo ou mais tarde, essa característica vai ocorrer no mundo", disse.

A presidente destacou a preocupação do governo com a inflação que, segundo ela, é uma preocupação "perene". "Sempre o nosso olhar está dividido entre olhar a inflação e ao mesmo tempo sustentar o crescimento", disse.

Quanto à volatilidade dos mercados, a presidente insistiu que o Brasil não tem a mesma situação. "Nós somos um país com endividamento muito baixo, temos as contas públicas em ordem, somos um país com elevada acumulação de reservas", disse lembrando ainda da regulação dos bancos brasileiros que, segundo ela, "é muito sólida".

"Sem sombra de dúvida, como ela (a crise) não é aguda, pode até se agudizar bastante, mas ela parece ter características sistêmicas, permanentes e isso significa uma economia, durante algum tempo, em recessão. O Brasil tem que se preparar cada vez mais para isso", disse a presidente.

Crise econômica

A presidente defendeu ainda "decisão política" para resolver a questão da Grécia. Dilma disse que, ontem, o tema Grécia foi discutido nas reuniões que manteve com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico David Cameron. A presidente relatou que sentiu que deve vir uma nova discussão por aí sobre a questão e que não é possível esperar a reunião do G-20 em Cannes, no início de novembro.

"Decisão política. Há que se decidir o que se faz em relação à Grécia. Ninguém acredita que um pacote de 8 bilhões (de euros) resolva o problema da Grécia. Então você tem que buscar soluções que sejam politicamente consistentes", disse.

A presidente acrescentou que não acredita em uma saída que obrigue a Grécia a sistematicamente fazer cortes de 20%. "Cortar todo o seu funcionalismo, vender o Parthenon, além de vender o Parthenon, o que mais? As ilhas gregas?", indagou.

Dilma disse que acha que seria correto "uma linha de financiamento para a Grécia, de redução da dívida, uma discussão séria de como a Grécia se resolverá dentro da União Europeia". "Eu não posso te convidar para uma festa de debutante e não te deixar comer o bolo", comparou a presidente.

A presidente destacou ainda que o governo brasileiro não acha que vai solucionar o problema europeu simplesmente colocando o dinheiro de nossas reservas no fundo de estabilização europeu. "Porque não é esse o problema. Nós faremos qualquer medida que o mundo reparta entre si desde que fique claro qual é o caminho que querem adotar. Nós não achamos que a questão é falta de dinheiro, mas falta de recursos políticos, eu chamaria. Então estamos dispostos. Nunca nos recusamos a ajudar no passado com dinheiro e estamos dispostos a participar com nossos recursos políticos".

 

(Texto atualizado às 15h58)

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