MP sobre biocombustíveis é ‘marketing’, diz líder tucano

Líder do PSDB na Câmara considerou 'jogada de marketing' MP que inclui biocombustíveis na política energética e abre possibilidade de redução da mistura do etanol à gasolina

Gustavo Porto, Agência Estado

29 de abril de 2011 | 10h35

O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), considerou nesta sexta-feira, 29, uma "jogada de marketing" e "de má gestão do governo" a edição da Medida Provisória (MP) 532, a qual inclui os biocombustíveis na política energética e ainda abre a possibilidade de redução da mistura mínima do etanol anidro à gasolina de 20% para 18%. "É uma jogada de marketing do governo que, sob pressão inflacionária (causada pelos combustíveis), adota medidas para dizer que pode barrar as altas nos preços", disse ele à Agência Estado. "Mas todos sabem que essa alta é pontual, gerada pela entressafra e que os preços vão cair logo", acrescentou.

O deputado, que já foi secretário de Agricultura de São Paulo, considerou a possibilidade da redução da mistura do etanol à gasolina, hoje em 25%, para 18%, como "um tiro no pé, pois aumentaria a emissão de poluentes e acentuaria a importação de gasolina, o que significa menos empregos e um descrédito à tecnologia nacional de produção de biocombustíveis, (que é) exemplo mundial", afirmou.

Para o parlamentar, o governo só não reduziu o piso da mistura do anidro à gasolina para menos de 18% porque a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não recomenda essa prática, por conta da ameaça de danos aos motores de veículos brasileiros. "Se o governo pudesse, baixaria a mistura para bem menos de 18%, mas pelo menos os burocratas seguiram os conselhos dos técnicos", afirmou.

Nogueira relatou ainda conversa hoje com o presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, o qual teria confessado que a entidade, representante dos usineiros, não fora informada da edição da MP. "A Unica foi pega de calças curtas, pois tinha gente em Brasília e a promessa de que seria informada dos detalhes da MP antes da edição, o que não ocorreu", disse. "Agora vamos mobilizar as bancadas dos Estados produtores de etanol para tentar derrubá-la quando for votada", concluiu.

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