Mudança do rating do Brasil depende de velocidade de reformas, diz S&P

'A grande questão é o quão rápido o governo conseguirá avançar com essas reformas em particular e com reformas macroeconômicas', disse a agência de rating

Marcílio Souza, da Agência Estado,

24 de maio de 2011 | 15h14

A elevação do rating do Brasil pela Standard & Poor's poderá levar de seis meses a dois anos, e dependerá principalmente da velocidade de implementação de reformas consideradas importantes pela agência de classificação de risco. A explicação foi dada nesta terça-feira pelo analista Sebastián Briozzo, em teleconferência na qual comentou a melhora da perspectiva do País para positiva, anunciada ontem.

"Sabemos que a implementação de reformas abrangentes, que exigem mudança da Constituição, é extremamente complexa e politicamente muito difícil", disse Briozzo. "Entretanto, ainda esperamos algum progresso em algumas reformas, que não exigem mudanças constitucionais, basicamente alterações no sistema tributário ou reformas no sistema previdenciário", comentou ele.

"A grande questão é o quão rápido o governo conseguirá avançar com essas reformas em particular e com reformas macroeconômicas", prosseguiu Briozzo. O analista destacou que o progresso do País nesses aspectos provavelmente irá melhorar a competitividade do setor privado brasileiro no cenário internacional e permitir o aumento do investimento das empresas. 

Investimento

A Standard & Poor's estima que a taxa de investimento do Brasil ficará em 19,8% este ano, podendo atingir 22% em 2013. "Um dos indicadores em que o Brasil fica atrás de alguns países com rating semelhante é a taxa de investimento em relação ao PIB, que continua abaixo da marca de 20%, apesar de todos os desdobramentos favoráveis que ocorreram nos últimos tempos", disse o analista Sebastián Briozzo, em teleconferência. "Será muito difícil para o País crescer mais de 4% a 5% ao ano, se o investimento não passar de 20%", afirmou.

Briozzo destacou que a manutenção do déficit fiscal abaixo dos 3% é extremamente importante para o balanço de riscos brasileiro, na avaliação da agência. "O desafio continua em 2012, com as regras que determinam reajustes no salário mínimo e que vão implicar elevações nos gastos", disse ele. O analista afirmou, no entanto, que o novo governo tem conseguido prosseguir com a combinação de políticas fiscais e monetárias que a S&P considera apropriadas para o gerenciamento econômico.

O analista da S&P afirmou também que o Brasil possui hoje muito mais espaço de manobra para absorver choques externos. Embora o nível elevado de juros domésticos tenha provavelmente provocado a entrada de um fluxo de recursos maior do que o País gostaria, causando apreciação cambial, explicou ele, uma reversão desses fluxos não deverá trazer grandes problemas que ameacem seu rating. Ao mesmo tempo, acrescentou, o crescimento chinês continuará impulsionando o desempenho das exportações brasileiras, principalmente de commodities. 

Tudo o que sabemos sobre:
ratingBrasilS&P

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.