Mudança em cronograma da Petrobrás gera economia de US$ 23,7 bi

Segundo presidente da estatal, empresa também reduziu o orçamento em US$ 6,4 bilhões com a alteração no escopo de alguns projetos

Kelly Lima, André Magnabosco e Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

25 de julho de 2011 | 14h44

O novo plano de negócios da Petrobrás, que terá vigência entre 2011 e 2015, prevê alterações no cronograma de projetos que vão possibilitar a companhia economizar US$ 23,7 bilhões no período. Segundo o presidente da estatal, Jose Sérgio Gabrielli, a empresa também reduziu o orçamento em US$ 6,4 bilhões com a alteração no escopo de alguns projetos.

Em entrevista coletiva, o executivo ressaltou que o novo plano prevê US$ 10,8 bilhões em projetos excluídos. Já a apreciação do real frente ao dólar encareceu o plano em US$ 8,6 bilhões no período. Além disso, a entrada de novos projetos engordou o plano em US$ 32,1 bilhões.

Gabrielli revelou que o Plano de Negócios 2011-2015 trabalha com a perspectiva de postergação do cronograma da refinaria Premium I, instalada no Maranhão. A primeira fase do complexo, prevista inicialmente para 2014, foi postergada para 2016. Já a segunda etapa, cujo cronograma apontava início de operações em 2017, também foi revisado em dois anos, para 2019.

O projeto do complexo prevê a produção de combustíveis como diesel e querosene de aviação (QAV), a partir do refino de 300 mil barris por dia de petróleo em cada uma das duas fases.

Gabrielli disse também que a geração de caixa prevista para o período 2011-2015 teve queda em relação ao plano anterior por conta de uma combinação de três motivos. O primeiro deles é o câmbio, com a valorização do real em relação ao dólar; depois vem o aumento de custos em toda a cadeia de petróleo. O terceiro motivo é a curva de produção mais apertada.

O diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, também destacou que o preço do barril de petróleo é maior neste plano do que no anterior. "Vamos ter que trabalhar com mais recursos de terceiros e pagar mais juros", acrescentou Barbassa.

Pré-sal 

O presidente da Petrobrás disse ainda que está bastante otimista com relação ritmo de produção da companhia que deverá ser acelerado nos próximos anos por conta do pré-sal.

De acordo com ele, a companhia terá 35 sistemas de produção entrando em operação até 2020. Até 2015 serão, segundo ele, 10 novos projetos no pós-sal, 8 projetos no pré-sal e um nas áreas da cessão onerosa. No total, lembrou, até 2015 serão adicionados com estes projetos 2,3 milhões de barris de óleo equivalentes por dia.

Desinvestimentos

Gabrielli não quis detalhar o desinvestimento de US 13,6 bilhões previsto no novo plano de negócios da estatal. Mas, adiantou que na área operacional os desinvestimentos vão se concentrar no exterior, enquanto no lado financeiro, o corte será mais focado no Brasil.

O executivo revelou ainda que os desinvestimentos passam por um farm-out (venda em bloco de ativos de petróleo em áreas exploratórias), venda de participações em empresas onde a Petrobrás está e também uma melhoria na gestão de capital de giro.

Segundo o diretor da estatal, Almir Barbassa, uma das possibilidades seria a estatal usar seguro garantia no lugar de deposito de garantia. Com essas estratégias, a companhia consegue arrecadar recursos e ainda diminuir investimentos necessários no setor. "O plano e sólido, financiável e não compromete a saúde financeira da companhia", afirmou Gabrielli.

Barbassa disse que a "estratégia inédita" da companhia de incluir desinvestimentos em seu Plano de Negócios para o período de 2011-2015 passa, principalmente, pela venda parcial de ativos em áreas exploratórias dentro e fora do País.

"Como a área de Exploração e Produção é a que concentra a maior parte dos nossos investimentos, é natural que ela participe também com um volume grande nesta venda. Não faria sentido tentar atingir os US$ 13 bilhões que se pretende em desinvestimentos em áreas que sequer possuem este volume em ativos", comentou. Segundo ele, o "grosso" dos desinvestimentos deverá ser feito dentro dos próximos dois anos. "Vamos começar a contratar os bancos para fazer as avaliações necessárias", comentou.

Segundo ele, os chamados farm-outs - processo de venda parcial ou total dos direitos de concessão de petrolífera - deverão concentrar o maior volume a ser desinvestido pela empresa, mas há também uma "busca incessante" por alternativas "inteligentes" que contribuam para reduzir custos administrativos. Além disso, ele disse haverá uma reestruturação financeira dentro da empresa em busca desta redução.

Entre exemplos que Barbassa citou como "inteligentes" para tirar da Petrobrás o peso do volume elevado de investimentos, está a criação da Sete Brasil, para contratar e administrar as sondas de perfuração que vão atuar para a companhia. "com isso a Petrobrás não precisa investir em sondas", disse.

O diretor da área Internacional da companhia, Jorge Zelada, afirmou que a venda de ativos no exterior também deverá concentrar parte deste desinvestimento.

Produção

A Petrobrás terá excedente exportável em 2015, disse o presidente da estatal. Segundo ele, a empresa deverá chegar a 2015 produzindo 3,070 milhões de barris por dia. O mercado consumidor deverá ficar entre 2,536 e 2,643 milhões de bpd em 2015, dependendo dos cenários de crescimento do PIB.

O parque de refino, no entanto, deverá ainda ter um déficit em relação à produção total. A carga processada em 2015 deverá ser de 2,2 milhões de bpd. Para 2020, a companhia projeta mercado consumidor entre 3,095 milhões de bpd e 3,327 milhões de bpd, ante produção total de petróleo de 4,9 milhões de bpd e carga processada de 3,217 milhões de bpd.

GNL embarcado

Gabrielli destacou ainda que a área de gás e energia passa agora por um período de transição, saindo de uma fase de investimento em infraestrutura para fase uma maior de adição de valor, com expansão em fertilizantes e maior regaseificação.

A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, disse que a empresa decidiu postergar - ainda sem prezo definido - o projeto de instalação de uma unidade de liquefação de gás, mais conhecida como GNL embarcado, que seria utilizada para escoar o gás natural a ser produzido no pré-sal da Bacia de Santos.

Segundo ela, a companhia não descartou o projeto mas, por enquanto, optou por adotar um gasoduto para fazer o escoamento deste gás, passando pela chamada "rota 3", que leva o combustível para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo ela, o trajeto exato deste gasoduto não foi definido ainda. "Deveremos ter uma decisão em outubro", disse.

Também em outubro, a companhia vai receber os estudos que estão sendo desenvolvidos por suas parceiras, a BG Repsol e Galp sobre a planta de GNL embarcado e poderá vir a reavaliar o projeto nos próximos anos. "Teremos outras revisões do plano e poderemos rever este projeto quando ele estiver mais detalhado e ser mostrar viável", disse.

(Texto atualizado às 17h32)

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