Mudança no IOF não deve segurar câmbio, diz BofA Merrill Lynch

A retirada do IOF para posições vendidas em derivativos, avalia economista, pode passar a sensação ao mercado de que há um desespero no governo em reverter a situação atual 

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

13 de junho de 2013 | 13h48

NOVA YORK - A retirada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para posições em derivativos e a intenção sinalizada pelo governo de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano são decisões positivas e bem-vindas, mas pouco prováveis de reverter de forma mais intensa a pressão do mercado na moeda brasileira, dado que o motivo das realocações de investimentos dos agentes é global, e não ligado a fatores internos. A avaliação é do economista do Bank of America Merrill Lynch, David Beker em um e-mail a clientes.

A retirada do IOF para posições vendidas em derivativos, avalia o economista, pode passar a sensação ao mercado de que há um desespero no governo em reverter a situação atual. A medida acontece uma semana depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, zera a alíquota do IOF na renda fixa.

Beker avalia que as mudanças no IOF podem encorajar a entrada de capital externo no Brasil, na medida em que estas medidas sinalizam um movimento do governo em direção a decisões de políticas econômicas mais ortodoxas. Além de zerar a alíquota do IOF, o economista lembra a alta de 0,50 ponto na Selic no final de maio. Uma das razões que o clima entre investidores estrangeiros e o Brasil andava ruim era justamente a adoção de algumas medidas heterodoxas desde 2009, sobretudo para evitar a entrada excessiva de capital externo.

Mas a mudança de direção na política brasileira acontece em um momento de mudanças também no cenário internacional, com os investidores realocando suas carteiras ante à expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) vai reduzir o ritmo de compras de ativos, atualmente em US$ 85 bilhões por mês. Por isso, a eficácia pode ser menor do que se fossem tomadas em outro momento, avalia o banco norte-americano.

O economista-chefe para mercados emergentes do BofA Merrill Lynch, Alberto Ades, destaca que é difícil ter um quadro amplo no momento sobre a saída de recursos de estrangeiros de países emergentes e das realocações de investimentos. Mas o próprio BofA tem sido procurado por alguns investidores, querendo retirar seus recursos desses mercados temendo o risco cambial.

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