Werther Santana/Estadão - 30/1/2021
Werther Santana/Estadão - 30/1/2021

Mudança societária na Americanas pode reduzir poder do fundo 3G Capital

Perto de ter suas ações listadas nos EUA, empresa planeja unificar os três papéis atualmente negociados na Bolsa brasileira - dois da Lojas Americanas e um das Americanas; para especialistas, decisão é 'estrategicamente positiva'

Talita Nascimento e Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2021 | 05h00

Uma mudança em estudo pela Lojas Americanas em sua estrutura societária está gerando especulações sobre o que pode acontecer com o famoso trio de controladores do grupo, Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, fundadores da Ambev e sócios do fundo 3G Capital.

O comunicado da empresa sobre o tema trouxe poucos detalhes, mas sinaliza a eliminação da holding criada em abril para garantir o controle do 3G na empresa. A dúvida é se os empresários vão encontrar alguma forma de seguir controlando a varejista, que agora está perto de listar ações nos Estados Unidos e no Novo Mercado, segmento de maiores exigências corporativas da B3, a Bolsa brasileira, e vem fazendo um movimento de crescimento via aquisições.

Os analistas do Citi calculam que, com a possibilidade de unificação das ações, o trio de controladores reduziria sua participação atual, de 39%, e passaria a deter 29%, segundo estudos preliminares. Procurado, o 3G Capital não respondeu ao contato da reportagem do Estadão/Broadcast.

Já o Goldman Sachs observa que a reorganização é “estrategicamente positiva”, pois deve elevar o poder de voto dos minoritários, que hoje já detêm a maior parcela da companhia, mas ainda têm pouca voz. Por causa dessa distorção, a ação da holding da varejista (LAME 3 e 4) estaria sendo negociada com um desconto de 24% a 29% em relação ao papel do negócio operacional (AMER3). Com a mudança, os três papéis seriam unidos em um.

“(O comunicado) abre a possibilidade de os atuais controladores deixarem de ser controladores, e a empresa passar a ser uma espécie de ‘corporation’. A empresa ganharia uma condição muito favorável para dançar conforme a música do mercado”, diz Eugênio Foganholo, sócio da consultoria de varejo Mixxer

Governança

A possibilidade de junção dos três papéis da Americanas é positiva também sob o aspecto da governança, de acordo com analistas. “Com a junção, essas três classes seriam concentradas no Novo Mercado, com ações ordinárias e 100% de ‘tag along’ (mecanismo que visa a proteger investidores menores)”, diz Danniela Eiger, colíder de análise da XP.

Segundo a analista, a questão da governança era um ponto que os investidores sempre questionaram na companhia. “Nesse cenário (de unificação dos papéis), eles eliminariam a estrutura de holding. Hoje, a Lame tem participação de 39% na Americanas”, diz Eiger.

Foganholo acrescenta que a união deve facilitar o entendimento dos acionistas e gerar, por isso, melhor percepção de valor nos investidores. Um gestor de fundo, sob anonimato, afirmou que a mudança vem com certo atraso: ela era esperada na época da reorganização societária, em abril.

Veja quais foram as últimas aquisições feitas pela Americanas:

  • Skoob:

Para turbinar sua venda de livros, a Americanas comprou a rede social de leitores, que foi lançada em 2009 e tem 8 milhões de usuários.

  • Natural da Terra:

Um dos objetivos da Americanas é aumentar a periodicidade com que os clientes acessam suas ofertas (online e presenciais); por isso, comprou a rede de alimentos frescos em um negócio de R$ 2,1 bilhões.

  • Imaginarium:

Outro trabalho recente tem sido a diversificação de portfólio: por isso, a companhia também incorporou este ano o grupo da rede de decoração Imaginarium, que tem forte presença no online.

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