Mudanças no compulsório podem evitar alta nos juros, aponta Fiesp

Para diretor da instituição, medidas reduzirão liquidez e oferta de crédito no mercado, o que torna desnecessário um aumento da taxa básica de juros

Anne Warth, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 14h33

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, disse nesta quinta-feira, 25, esperar que as mudanças no compulsório anunciadas na quarta pelo Banco Central (BC) sejam suficientes para evitar a elevação da taxa básica de juros este ano. "Espero que essa decisão elimine a alternativa de elevação da Selic", afirmou.

 

A maioria dos analistas de mercado prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a Selic, que hoje é de 8,75% ao ano, para 11,25% até o fim de 2010. As medidas anunciadas na quarta reduzem a liquidez do mercado e a oferta de crédito pelos bancos, que terão de recolher mais dinheiro ao BC.

 

"Já éramos contra o aumento da Selic antes da retomada das alíquotas pré-crise de recolhimento do compulsório. Agora somos duplamente contra", disse Francini. "A Fiesp tem uma posição muito clara contra a alta da Selic porque considera que a capacidade produtiva da indústria não está ameaçada. Existe folga dentro da estrutura industrial para alicerçar o crescimento do País."

 

O diretor evitou fazer críticas às mudanças no compulsório e ponderou que todos os países que adotaram ações de estímulo econômico durante a crise reavaliam até quando elas serão mantidas. "A percepção do governo é de que aquilo que deveria ter sido feito foi feito e demandava um esforço fiscal grande, mas temporário", afirmou. Para Francini, a redução da oferta de crédito resultará em aumento do custo dos financiamentos. "Os efeitos serão semelhantes ao aumento da Selic para empresas e consumidores, mas sem impactar as contas públicas."

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