Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Na cola do pacote habitacional

Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ é visto com otimismo pelo mercado para estimular as vendas

21 de maio de 2009 | 17h00

O programa do governo federal ‘Minha Casa, Minha Vida’, que prevê investimentos estimados de R$ 60 bilhões para a construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda até dez salários mínimos, promete impulsionar o mercado imobiliário, sobretudo o setor da construção civil. Para o presidente do sindicato da indústria do setor em São Paulo (SindusCon-SP), Sérgio Watanabe, o pacote habitacional consiste em uma medida anticíclica do governo federal para enfrentar a crise financeira mundial.

 

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A expectativa da entidade é a de que, com o projeto, sejam criados 780 mil empregos diretos no País, sendo 30% desse total no Estado de São Paulo. "O Brasil nunca teve um programa habitacional para a população de baixa renda. Por isso, vejo o ‘Minha Casa, Minha Vida’ como uma oportunidade única para quem sonha em comprar a casa própria, principalmente aquelas famílias que ganham até três salários mínimos e poderão ter subsídios de 100%", destaca Watanabe.

 

O pacote do governo deve agitar também o segmento de moradias populares, com grande potencial de crescimento em 2009. De olho nesse mercado, empresas do setor imobiliário, que antes trabalhavam com casas e apartamentos com valores acima de R$ 300 mil, já começam a investir na construção de imóveis para pessoas de baixa renda, que representam mais de 90% do déficit habitacional do País, que, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), de 2006 , é de quase 8 milhões de moradias.

 

"Faz tempo que precisávamos de um programa de longo prazo para ajudar os quase 8 milhões de brasileiros que vivem sem habitação. Ao contrário de outros tempos, as classes média-baixa e baixa viraram o alvo e serão as principais beneficiadas com o ‘Minha Casa, Minha Vida’", assegura o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), João Crestana.

 

O sucesso do programa, contudo, vai depender da velocidade com que será adotado, alerta Watanabe. "Afinal, é um processo demorado. Embora o governo do presidente Lula tenha dito que combinou todos os detalhes com as construtoras, os governos estaduais e municipais e o Ministério do Meio Ambiente, não é possível aprovar projetos em prazos curtos. Se tudo acontecer perfeitamente bem, serão seis meses. Caso contrário, um ano", afirma.

 

O presidente do Conselho Regional de Corretores do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana, enxerga de maneira positiva a decisão do governo de aumentar de R$ 245 mil para R$ 450 mil o valor máximo dos financiamentos imobiliários no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de R$ 300 mil para R$ 500 mil do limite de avaliação do imóvel a ser adquirido. Segundo ele, a redução dos juros, que passam a variar entre 5% e 8,16% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), devem estimular os compradores a se livrar do aluguel, pois já terão condições de pagar as prestações da casa própria.

 

Além disso, Viana destaca a possibilidade de o mutuário poder escolher entre dois sistemas de amortização dos financiamentos. Pela Tabela Price, as prestações começam pequenas e crescem com o tempo, enquanto pelo Sistema de Amortização Constante (SAC) ocorre o contrário. "Embora tenham ocorrido avanços, o governo deveria ter garantido o financiamento de 100% de todas as modalidades com crédito. Isso serviria para aquecer ainda mais o mercado imobiliário", acrescenta Viana.

 

No Feirão, dos 42.801 imóveis novos, 26.600 se enquadram nas faixas de preço do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Com um mês de existência, o pacote habitacional do governo tem 198.100 famílias cadastradas no Brasil, sendo 26,8% só no Estado de São Paulo. Foram fechados 1.089 contratos de venda de unidades novas e usadas por intermédio do programa em todo o País.

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