Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Na contramão do mercado, Ford vê vendas de veículos estáveis em 2017

Para o presidente da montadora para a América do Sul, indicadores atuais não dão sinais de recuperação da economia até o fim do primeiro semestre do ano que vem; empresa, que opera no vermelho no País desde 2014, prevê ao menos reduzir suas perdas

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2016 | 05h00

O presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Watters, afirmou que ainda não vê sinais claros de recuperação da economia brasileira, com base em indicadores como confiança, crédito e emprego já divulgados. “Não vejo uma recuperação pelo menos até o segundo semestre de 2017”, afirmou o executivo, em evento na capital paulista. A expectativa da companhia para o ano que vem é, no máximo, de uma redução de perdas em relação a 2016.

A companhia não tem resultado positivo na América do Sul desde 2013, disse o presidente das operações sul-americanas da Ford, Lyle Waters, a jornalistas, ontem. Antes disso, a empresa teve lucro por nove anos seguidos. “São ciclos. O mesmo ocorreu na Europa. Passamos os últimos quatro anos trabalhando em uma reestruturação lá e estamos vendo lucro lá de novo”, disse Waters, ao ser questionado sobre os resultados na América do Sul.

Segundo o executivo, o mercado brasileiro de veículos em 2017 deve ficar praticamente estável em relação às cerca de 2 milhões de unidades que devem ser vendidas neste ano. A expectativa é que ocorra uma recuperação modesta a partir do segundo semestre, conforme os juros da economia forem reduzidos pelo Banco Central e medidas de reformas econômicas, implementadas.

No início deste mês, o presidente da associação de montadoras de veículos no Brasil, Anfavea, Antonio Megale, afirmou que as vendas de veículos no país em 2017 devem crescer um dígito no próximo ano.

“Este ano foi um pouco mais desafiador do que esperávamos (no Brasil), mas a América do Sul para nós continua sendo estratégica”, disse Waters, ao ser questionado sobre os planos futuros de investimento da companhia no Brasil. “Os indicadores econômicos estão apontando para uma recuperação mais lenta do que se esperava seis meses atrás”, acrescentou.

Apesar da falta de otimismo em relação ao próximo ano, Watters disse que o governo de Michel Temer tem feito “a coisa certa”, em referência às reformas econômicas enviadas ao Congresso. Declarou, no entanto, que o governo precisa de uma política industrial que estimule as exportações, “porque o Brasil não é competitivo para exportar veículos para a América do Sul”.

Watters reafirmou também que a Ford continua com seus investimentos no Brasil, para que a montadora “esteja preparada para quando o mercado voltar a crescer”.

A Ford encerrou novembro com uma participação acumulada desde janeiro no segmento de automóveis e comerciais leves de 9,14%, segundo dados da associação de concessionários de veículos Fenabrave. Em 2015, no mesmo período, a fatia de mercado estava em 10,47%, acima do resultado de 9,15% registrado em 2014.

Segundo o presidente da Ford América do Sul, a participação de mercado não é o principal foco da companhia, e sim a rentabilidade. Waters afirmou que a Ford já está ajustada para o atual nível de demanda do mercado brasileiro, que neste ano acumula queda de 21% de janeiro a novembro, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Saída. A Ford deixou, na semana passada, de ser a única montadora a continuar produzindo veículos na Venezuela. A empresa entrou em recesso de fim de ano e só deve retomar a produção venezuelana em abril do próximo ano, disse Waters.

A decisão deve-se à necessidade de adequar a produção à demanda, fortemente impactada pela crise vivida pela Venezuela. A Ford emprega cerca de 2 mil trabalhadores na fábrica venezuelana, disse Waters, acrescentando que a empresa tem trabalhado com mecanismos como oferta de demissões voluntárias na unidade. / COM REUTERS

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