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Na contramão do setor, mercado de carros de luxo cresce 18% no ano

Audi, BMW e Mercedes-Benz, que juntas dominam 70% do mercado de altíssimo padrão no Brasil, comercializaram no País quase 14 mil unidades de janeiro a abril; no mesmo período, o mercado de veículos como um todo sofreu uma retração de 18,4%

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 05h00

O mercado de carros de luxo segue com fôlego, apesar da crise que derrubou as vendas totais de veículos no País. Só as três marcas alemãs de modelos premium, responsáveis por 70% dos negócios nesse segmento, cresceram 18% nos primeiros quatro meses do ano, mesmo porcentual de queda verificado nas vendas totais de automóveis e comerciais leves no período.

Juntas, Audi, BMW e Mercedes-Benz comercializaram 13.936 veículos de janeiro a abril, ante 11.807 em igual período do ano passado. As três marcas vendem modelos com preços que vão de R$ 96 mil a R$ 959 mil e travam acirrada disputa no Brasil e mundialmente pela liderança nas vendas.

O segmento total de automóveis e comerciais leves vendeu até abril 861,7 mil unidades, 18,4% a menos na comparação com igual intervalo de 2014. “Por ser um nicho, o mercado de luxo, ou grifes, não é tão afetado pela crise quanto o mercado total”, diz Dimitris Psillakis, diretor da área de automóveis da Mercedes-Benz do Brasil.

A Mercedes cresceu 31% nas vendas nos primeiros quatro meses do ano no comparativo com 2014, para 4.238 unidades. A concorrente Audi cresceu pouco mais – 35%, para 5.018 unidades. A BMW foi a única a registrar queda, de 3,5%, para 4.680 unidades.

Segundo um porta-voz da BMW, apesar dessa queda inicial, a marca trabalha com previsão de reverter o quadro e crescer dois dígitos até o fim do ano, algo próximo a 10%. Para isso, aposta nos lançamentos que fará nos próximos meses e na ampliação da produção na fábrica de Araquari (SC), que iniciou operações em outubro do ano passado.

Fábricas locais. Suas concorrentes também abrirão fábricas locais em breve. A Audi deve iniciar produção em São José dos Pinhais (PR) em setembro – nas instalações da Volkswagen, dona global da marca –, e a Mercedes em fevereiro de 2016, em Iracemápolis (SP).

“Vamos produzir localmente os dois modelos mais vendidos da marca no País, o Classe C e o utilitário GLA, hoje importados”, confirma Psillakis, que no segundo semestre assumirá o cargo de presidente da Mercedes-Benz na Coreia.

Ele credita o desempenho no Brasil à renovação dos modelos da marca, ao início das vendas do GLA (do segmento de utilitários compactos em que não atuava anteriormente) e ao aumento da rede de revendas, de 34 lojas em 2012 para 48 atualmente, uma das quais será aberta hoje, no bairro do Brooklin, na capital paulista. Até o fim do ano o grupo terá 55 revendas.

O presidente da Audi, Jörg Hofmann, afirma que o crescimento da marca acima da média do mercado “mostra a escolha correta da nossa estratégia 360 graus para o Brasil, bem como a decisão de produzir os modelos A3 Sedan e Q3 no País.” Diz ainda que a expansão da rede de concessionárias, os investimentos em marketing e no pós-venda são ações que estão suportando o crescimento atual e continuarão suportando no longo prazo.

Para o diretor da consultoria ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, além de ser menos influenciada pela crise, as vendas de carros de luxo estão aquecidas em parte porque as importadoras ainda não repassaram a alta do dólar aos preços.

“Muitos clientes das marcas premium estão antecipando a troca de seus modelos com receio de um repasse integral da alta do dólar”, afirma Garbossa.

Esportivo. No ano passado, o segmento de carros de luxo, incluindo modelos Land Rover, Volvo, Mini, Porsche, Jaguar e Lexus vendeu 55.841 unidades, 18% a mais que em 2013, que, por sua vez, cresceu 39% ante 0 ano anterior.

Para este ano, a espectativa é de novo crescimento, mas as marcas evitam falar em porcentuais. A Mercedes aposta tanto no segmento que vai lançar na próxima semana o esportivo AMG GT, que será o modelo mais caro da linha: R$ 855 mil. 

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