André Lessa|Estadão
André Lessa|Estadão

Na crise, InBrands e Restoque voltam a negociar fusão

Empresas, que já negociaram união em 2014, esperam fechar acordo nas próximas semanas; ambas sofrem com queda de vendas e prejuízos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2016 | 22h01

Dois dos maiores grupos de moda do País, a Restoque (dona de Le Lis Blanc, Bobô e Dudalina) e InBrands (cujo portfólio inclui marcas como Richards, Ellus e VR) voltaram a negociar a fusão de suas operações. Os dois grupos chegaram perto de anunciar uma fusão em 2014, mas os acionistas das duas companhias não conseguiram um acordo. Os grupos afirmaram, em fato relevante divulgado nesta quinta-feira, 2, que esperam chegar a um entendimento para a combinação de 100% de seus negócios nas próximas semanas.

Segundo as companhias, o processo de due diligence, que fará uma varredura nas contas de ambas as companhias, será iniciado imediatamente. Caso o acordo seja fechado, a companhia resultante da união dos dois negócios deverá fazer uma oferta pública de ações para captar recursos.

Hoje, segundo fontes do mercado de varejo, ambas sofrem com um forte endividamento e também com a queda nas vendas, fruto da recessão econômica. Uma fonte definiu ao Estado que a união é uma estratégia de sobrevivência para as duas empresas, cujos negócios vêm sendo castigados pela recessão, que faz os consumidores buscarem opções mais baratas para se vestir.

Ambas as companhias têm fundos de investimento entre seus acionistas – o Vinci Partners faz parte do rol de acionistas da InBrands enquanto o Advent e o Artesia estão dentro da Restoque. A InBrands “ameaçou” durante quatro anos abrir o capital na BM&FBovespa, mas acabou desistindo da ideia no ano passado. A Restoque (ainda como Le Lis Blanc) entrou na Bolsa em 2008.

Até 2011, antes da criação da holding Restoque, o negócio foi uma espécie de “queridinha” da Bolsa. As ações, que estrearam a R$ 5,85, chegaram a ser cotados a R$ 25 três anos depois.

A criação da Restoque – e a abertura de marcas como John John (de moda jovem) e a Noir (marca masculina que já foi desativada) – coincidiu com o início da desconfiança dos investidores. Os papéis foram perdendo valor e hoje são negociados na casa de R$ 4 na BM&FBovespa, isso já considerando a forte alta de 16% que a Restoque teve graças aos comentários sobre a possível fusão.

No vermelho. As duas empresas têm apresentado resultados negativos. No primeiro trimestre, as vendas nas lojas abertas há mais de um ano da InBrands caíram, em média, 7,8%, na comparação com igual período do ano anterior. A receita total foi de R$ 271,5 milhões, uma queda de 3,7% em relação ao período entre janeiro e março de 2015.

A empresa mantém hoje 11 marcas, sendo a Ellus e a Richards as de faturamento mais relevante. A dívida líquida da empresa estava em R$ 604,6 milhões em março. A InBrands teve prejuízo líquido de R$29 milhões no primeiro trimestre.

Na Restoque, apesar da união com a camisaria Dudalina no fim de 2014, os resultados só pioraram nos últimos trimestres. A receita líquida da companhia foi de R$ 329,1 milhões entre janeiro e março de 2016, o que representa uma queda de 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O grupo, que tem Le Lis Blanc, Dudalina, John John e Bobô entre suas principais marcas, teve prejuízo de R$ 24,2 milhões no primeiro trimestre. O endividamento subiu quase 12% em um ano, ficando em R$ 747,5 milhões em 31 de março.

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