Na escolha da raça, não é a beleza que conta

Pecuarista e frigorífico devem trabalhar juntos para obter gado que, belo ou não, dê carne de alto padrão

Estadão,

19 de outubro de 2007 | 17h16

O frigorífico Marfrig avaliou, no dia do abate, também animais puros da raça angus e cruzados meio-sangue, todos com bons resultados. Segundo Barcellos, nessa nova fase a indústria não pode se limitar ao abate. "Temos de interagir com o produtor para melhorar a qualidade da carne." Para isso, o frigorífico criou um sistema de premiação pela qualidade. Para Barcellos, a fase atual da pecuária é a da escolha da raça não pela beleza do biotipo, mas pela qualidade da carne. Isso está sendo estimulado pelos frigoríficos. O pecuarista Higino Hernandez, de Catanduva (SP), acredita que na pecuária atual também há espaço para o boi criado exclusivamente a campo. "É preciso ter boa genética. Você faz o choque de raça e, com bom manejo de pasto, não há necessidade de confinar." Ele manda ao abate animais com peso entre 16 arrobas (fêmeas) e 17,5 arrobas aos 24 meses de idade. No entanto, a maior parte do seu plantel está em pastagens em Mato Grosso do Sul. "Com um pasto bem manejado, o boi recebe toda a proteína de que precisa." Balanço Para o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), José Sidnei Gonçalves, a perda de espaço para pastagens não significou queda na produção de carne bovina em São Paulo. Desde 1970, a área de pasto recuou 1,7 milhão de hectares no Estado. No entanto, a produção de carne bovina avançou de 446 mil toneladas para 1,1 milhão de toneladas no mesmo período. "Mesmo com 1,7 milhão de hectares de pastos a menos, houve ganho de produtividade de 187% na produção de carne", explicou. Ele acredita que a pecuária vai pegar carona na expansão de lavouras como a cana para ampliar essa especialização produtiva. Gonçalves diz que, no Estado, estão disponíveis volumes crescentes de subprodutos agroindustriais, sobretudo resíduos da cana, soja, milho e laranja. "Isso torna muito competitivos os sistemas de engorda modernos." Ele observa que existem várias tecnologias de semiconfinamento, sistema intensivo de criação e terminação integrados, utilizando os derivados da cana. "Ainda que a curto prazo a recria seja a opção, o caminho da pecuária de corte paulista seria a terminação com pastejo intensivo, associado ao confinamento no fim do ciclo."

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