Na indústria, corte chegou a 69 mil postos de trabalho

Setor industrial passa por momento ruim em relação aos empregos e não vê sinais de melhora nos próximos meses

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2014 | 07h45

RIO - Embora o Brasil venha mostrando a taxa de desemprego em mínimas históricas, o mercado de trabalho na indústria não desfruta de um bom momento nem vê sinais de melhora nos próximos meses. O setor cortou 69 mil postos de trabalho na passagem de março para abril, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Em relação a abril de 2013, houve eliminação de 73 mil vagas.

Os empregados sobreviventes na indústria convivem com demissões, redução na jornada de trabalho e até salários menores. O número de funcionários nas fábricas já está 5% abaixo do pico histórico do emprego industrial, registrado em julho de 2008, diz Rodrigo Lobo, economista da Coordenação de Indústria do IBGE. "A gente encara ainda um cenário negativo para o emprego na indústria, acompanhando o momento de menor produção."

Em março, o número de trabalhadores ficou 1,9% menor do que no mesmo mês do ano anterior, a 30.ª taxa negativa consecutiva, de acordo com outro levantamento, a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, também do IBGE. O número de horas pagas encolheu 2,4% no período, o que pode sinalizar novos cortes caso a produção não exiba uma recuperação mais vigorosa.

Além disso, os funcionários que permaneceram na linha de fábrica estão ganhando menos, na contramão do que ocorre com todos os outros trabalhadores do País. Em abril, a renda média real do trabalhador da indústria encolheu 1% em relação a abril do ano passado, o único resultado negativo entre as sete categorias pesquisadas na PME. No mesmo período, os funcionários da construção tiveram aumento salarial real de 10,8%, enquanto os trabalhadores do comércio ganharam 6,3% mais e, empregados domésticos, 4,6% mais.

A queda no salário médio do trabalhador industrial pode ser motivada por diferentes razões, entre elas o corte de cargos de chefia ou reajustes abaixo da inflação, explicou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Mas, na indústria de transformação, todos os reajustes provenientes de negociação salarial ficaram acima da inflação", garantiu.

A Fiesp prevê que a indústria de transformação corte 40 mil vagas ao longo deste ano apenas no Estado de São Paulo, o maior parque industrial do País. "A produção não está retomando como o esperado", diz.

Segundo Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), os empresários industriais sinalizam que a perspectiva para os próximos meses deve ser de estagnação no emprego ou até mais demissões. Um dos quesitos da Sondagem Industrial da FGV/Ibre aponta que o número de empresários que pretendem fazer contratações nos próximos meses está a uma distância muito próxima dos que dizem que vão diminuir o número de funcionários. Na sondagem, o emprego previsto para os próximos três meses registrou 103,2 pontos na média móvel de abril, o menor nível desde julho de 2009.

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