Na mesma área, 400 espécies

Café, banana, cacau, canela, além de várias plantas medicinais e lavouras anuais convivem em harmonia

João Carlos Faria, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 17h44

Uma das primeiras propriedades a adotarem a agrofloresta foi o Sítio Cachoeirinha, no Bairro do Taquaral, em Ubatuba. O proprietário, Washington Moreira Moura, trabalha com agricultura orgânica há mais de 30 anos e há cerca de um ano passou a trabalhar com a agrofloresta. ''''Comecei intuitivamente e depois fiz curso no Ipema'''', diz.O produtor acha que a saída é economicamente viável para áreas protegidas, porque permite a convivência harmoniosa com a natureza. Na feira, duas vezes por semana, ele vende cerca de 200 quilos de alimentos produzidos naturalmente, entre hortaliças, frutas e plantas medicinais, com renda média de R$ 400.GELÉIASDe frutas como pitanga, goiaba e jabuticaba ele faz geléias para consumo da família e para venda. Aos poucos, Moura diz que pretende ocupar com agrofloresta os 20 hectares cultiváveis do sítio, que tem área de 110 hectares, mais de 50% de Mata Atlântica. Por enquanto, ele cultiva apenas uma área de 3,5 hectares.Nesse espaço convivem mais de 400 tipos de plantas, como café, banana, cacau, canela, cambucá, além de 36 espécies de medicinais e aromáticas, cerca de 50 variedades de pimenta, milho, feijão e diversas hortaliças e legumes. ''''A diversificação sempre garante renda'''', explica Moura.No sítio ele também tem 16 colméias, com uma novidade: em vez de uma rainha são duas por colméia e as caixas são montadas em sistema de ''''terraços''''. ''''A produção dobra, podendo chegar a 80 quilos/ano por colméia'''', afirma. Sua intenção é ter 120 colméias.O biólogo Corbellini aponta o rigor da legislação e a atuação da Polícia Ambiental como formas de pressão intensa sobre as comunidades tradicionais, que vivem da agricultura na região. ''''O que vigora é só a proibição'''' diz, apontando que práticas tradicionais como a retirada do cipó para o artesanato e da madeira para a construção de canoas também são conflituosas com a legislação. ''''É difícil convencer as pessoas de que elas não podem plantar mais, se elas sempre plantaram e viveram disso'''', afirma Corbellini. Para solucionar esses conflitos, a meta é ter um plano de manejo e uma legislação para regulamentar a extração do palmito juçara e a agrofloresta.INFORMAÇÕES: Ipema, (0--12) 3848-9292var keywords = "";

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