‘Não devemos poupar armas contra inflação’, diz Mantega

Para ministro, principais motivos de surto inflacionário mundial são a alta dos preços das commodities e a pressão sobre os preços do petróleo com a tensão nas regiões produtoras

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe, da Agência Estado,

26 de abril de 2011 | 12h18

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 26, que um ajuste importante que o governo busca fazer na economia se refere ao combate à inflação que, segundo ele, também decorre de um "surto inflacionário mundial".

Mantega argumentou que, apesar de a inflação brasileira ter chegado a 6,30% em março no acumulado de 12 meses, outros países do mundo enfrentam altas ainda maiores de preços, como Rússia, a Índia e a Argentina. "Estamos conseguindo conter mais a inflação do que outros países. No Reino Unido e na China a inflação também está maior do que foi no ano passado, mas os Estados Unidos ainda não captaram a inflação do petróleo", acrescentou o ministro.

Ele voltou a jogar parte da culpa pelo problema na alta dos preços das commodities, que registram elevação de 37,8% em 12 meses, com crescimento de 43,2% apenas nos alimentos. "A primeira razão é o choque de oferta, ou seja, faltam commodities devido a questões climáticas, como chuvas e secas. Em segundo lugar houve aumento do consumo das commodities em países em desenvolvimento", destacou.

Além disso, o ministro citou a crise política no Oriente Médio e no Norte da África, que pressiona o preço do petróleo. "E por último há as políticas monetárias expansionistas dos países avançados, como os EUA e Europa, que estão com políticas frouxas, de expansão fácil da moeda, colocando muitos dólares na economia mundial. Esses dólares não vão para consumo ou investimento, vão para a especulação de commodities", afirmou.

Segundo ele, diante desse contexto mundial complexo, não adianta, para o governo, tomar medidas para atacar questões que ocorrem no mercado internacional. "As medidas que estamos tomando são para que os custos de commodities não contaminem outros setores da economia. Não devemos poupar armas, devemos usar todas as possíveis, sejam armas monetárias, sejam armas fiscais", acrescentou, ponderando que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, daria maiores explicações.

Outra alternativa, disse Mantega, é estimular a oferta de produtos agrícolas, já que o Brasil tem vantagem nesse setor. "Além disso, o corte das despesas públicas tem como objetivo a consolidação fiscal, mas também favorece a queda da inflação. Também é muito importante reduzir o aumento do crédito", afirmou. "Não é para derrubar a demanda, é para moderar, sem matar a galinha dos ovos de ouro que é o mercado interno brasileiro", concluiu.

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