Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Trabuco defende as reformas ‘possíveis’

Para executivo do Bradesco, mudar a Previdência é fundamental para o País

Aline Bronzati, Altamiro Silva e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2018 | 17h15
Atualizado 14 de dezembro de 2018 | 20h56

O presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, está otimista em relação à retomada do crescimento do País a partir do ano que vem. “Mais que otimistas, estamos esperançosos com 2019”, disse Trabuco na sexta-feira, 14, a jornalistas. O executivo defendeu a aprovação da reforma da Previdência para o País voltar a ganhar tração. “Se não (for votada) a necessária, que consiga aprovar a possível.

“Eu colocaria no gerúndio porque não será a única que será feita. As reformas terão de feitas (nos próximos anos)”, afirmou o banqueiro, que também ressaltou a necessidade de uma reforma do Estado.

Os executivos do Bradesco disseram que, se aprovadas as reformas, o Brasil poderá atrair o interesse de investidores estrangeiros, que ainda demonstram cautela em relação à agenda do próximo governo.

Para 2019, a expectativa é de que o mercado de capitais atraia cerca de US$ 50 bilhões de fundos dedicados a países emergentes. Além desses aportes, outros US$ 50 bilhões poderão vir de fundos globais, que não têm foco em emergentes, segundo Marcelo Noronha, vice-presidente do banco.

Em 2010, o Brasil respondia por 16% da alocação de recursos dos fundos dedicados a emergentes. Esse patamar veio caindo e estava em apenas 5% este ano, mas já começou a subir e pode ir a 7%. Com as reformas avançando, a expectativa é que o País recupere mais espaço e volte ao menos ao nível que tinha em 2010.”

Segundo Noronha, se o País retomar o crescimento e colocar em curso a agenda de privatizações, outros US$ 200 bilhões poderão ser injetados no País nos próximos cinco anos por investidores.

Apetite por crédito

O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, não acredita, contudo, que o pacote de privatizações do governo deve incluir, neste primeiro momento, a Caixa e o Banco do Brasil. Os dois bancos públicos respondem por cerca de 50% do mercado de crédito. “Os bancos privados têm apetite por operações de crédito e querem abocanhar um pedaço maior dessa pizza”, disse.

A expectativa é de crescimento de 10% no crédito a empresas no próximo ano, em meio à retomada da economia brasileira. Tanto as linhas de empréstimos como is recursos no mercado de capitais, com emissões de dívida e de renda variável, tendem a apresentar melhores desempenhos no próximo ano, disse. Lazari também defendeu que bancos privados e públicos se sentem à mesa para discutir caminhos para redução das taxas de juros no País – conversa que também precisaria passar pelo Congresso.

Cielo

Octávio de Lazari afirmou também que não "faz sentido" fechar o capital da empresa de cartões Cielo, mesmo quando se leva em conta que está compensando comprar ações da companhia. "A Cielo tem valor que não está bem precificado", disse ele em evento do banco com a imprensa nesta sexta-feira.

A Cielo tem de repensar seu modelo de negócios para se tornar ainda mais competitiva, disse o vice-presidente do Bradesco, Marcelo Noronha. "A competição vai aumentar no mercado, as margens estão diminuindo", disse ele também negando planos de fechar o capital da empresa, que é "core" nos negócios do banco. "Não estamos debatendo o fechamento de capital da Cielo. O assunto não está na mesa".

"A Cielo é importante na nossa cadeira de valor", disse Lazari. "A nossa expectativa coma a Cielo é a melhor possível", afirmou o presidente do Bradesco, ressaltando que o cenário de concorrência mudou para Cielo, por isso a necessidade de repensar a companhia.

Perguntado sobre a fatia da Caixa na Cielo, Noronha ressaltou que a participação é minoritária e o banco público não influencia a gestão ou mudanças estruturais da empresa. 

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