Não foi só o Brasil que cresceu abaixo do desejado, diz Mantega

Ministro da Fazenda afirmou que 2012 foi ‘um ano de batalha’ econômica, mas destacou reformas estruturais que não têm efeito imediato

Renata Veríssimo, Adriana Fernandes e Célia Froufe, da Agência Estado ,

19 de dezembro de 2012 | 12h37

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um balanço, nesta quarta-feira, 19, do desempenho da economia em 2012 e traçou projeções para 2013. Em café da manhã com jornalistas, Mantega disse que 2012 foi "um ano de batalha" e que não teve a trajetória econômica que o governo esperava. "Não só nós, toda a torcida do Corinthians e do Palmeiras", afirmou.

Segundo ele, embora 2012 tenha sido um ano difícil, foi um ano de grandes realizações, de reformas estruturais, mas que não surtem efeito imediato. "Não traz a felicidade imediata", ressaltou.

Mantega observou, no entanto, que não foi só o Brasil que não conseguiu a taxa de crescimento que desejava. Ele disse que o mundo desacelerou e destacou a situação da China.

Para o ministro o lado positivo de 2012 para o Brasil foram as reformas estruturais. Segundo ele, o País vivia uma distorção com juros, cambial e tributária. "O Brasil convivia com essas três grandes distorções que causam danos também para o governo que paga um serviço elevado da dívida", afirmou.

Mantega disse que as distorções gêmeas ao longo deste ano foram juros e carga tributária elevada. "É quase um milagre o que fizemos nestes últimos anos". Estamos eliminando essas distorções e temos que olhar a repercussão dessas mudanças", afirmou. Ele destacou que o País nunca teve juros reais como os atuais de 1,7%. "É uma maravilha!", comemorou.

O ministro lembrou também que o governo promoveu desonerações tributárias de R$ 45 bilhões, este ano. "Tudo que deixamos de pagar de juros vamos reduzir em tributos", garantiu. Ele disse que o País vive um momento de transição, de forte estímulo ao investimento e à produção. 

Depois de destacar as reformas estruturais dos tributos, o ministro defendeu as medidas de redução pontual de impostos, como o IPI, para estimular o consumo. "Redução de impostos pontuais servem para dar uma estimulada", disse Mantega. Ele comparou essa política com a ligação de um motor de carro para começar a andar. Mantega disse que essa redução pontual é importante, porque o empresário se retrai na crise e só continuará investindo se houver condições seguras. "Ninguém investe sem demanda". Ele avaliou que em termos de demanda, o Brasil está indo muito bem e acrescentou que a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) mostrou um crescimento, em outubro, de 8% ao ano. "Qual País tem 8% de crescimento? Nem a China!", avaliou o ministro.

Investimentos

Guido Mantega previu que haverá uma aceleração dos investimentos em 2013. Segundo ele, já há sinais de recuperação da economia no segundo semestre deste ano. "A economia está em franco processo de recuperação e vamos terminar o ano em aceleração", disse.

Mantega previu que o investimento irá crescer 8% em 2013, depois de uma queda em torno de 2% este ano. O ministro lembrou que em 2010 o investimento cresceu 21,5% depois de ter uma queda de 6,7% em 2009, no auge da crise financeira. O ministro afirmou que é "uma piada" aqueles que diziam que o governo não estimulava os investimentos durante a crise de 2009, mas somente o consumo.

O ministro da Fazenda disse que a maior frustração do governo, este ano, foi o fato de os investimentos terem demorado para retomar o crescimento, embora, segundo ele, isso fosse previsível porque esse é o último indicador a se recuperar. No entanto, Mantega afirmou que o Brasil está alterando o seu patamar de investimentos, que irão superar 20% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão do governo é que em 2012 os investimentos corresponderão a 18,5% do PIB e chegarão a 19,2% do PIB em 2013, caso a economia cresça a 4% no ano que vem.

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