Não há calendário fixo para fim dos estímulos, diz Bernanke

Presidente do Fed afirmou que os dados econômicos recentes não atenderam às expectativas e não confirmaram a melhora no mercado de trabalho e na economia dos EUA

Agência Estado,

18 de setembro de 2013 | 15h03

WASHINGTON - Ben Bernanke, presidente do banco central dos EUA, o Federal Reserve (Fed), repetiu que o banco central pode começar a reduzir seu programa de compras de bônus este ano, mesmo após a decisão surpreendente de não iniciar esta redução este mês. "Não há um calendário fixo", afirmou. Bernanke afirmou que os dados econômicos recentes "não atenderam às expectativas e não confirmaram a perspectiva" de melhora no mercado de trabalho e na economia.

Bernanke ressaltou que banco central pode tomar grandes decisões de política monetária em qualquer reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), não somente as que coincidem com coletivas de imprensa. O comitê se reúne oito vezes ao ano e divulga um comunicado no fim de cada uma delas, mas somente quatro são seguidas por uma coletiva de imprensa, na qual o presidente da instituição explica os últimos acontecimentos e as perspectivas.

Emprego. Sobre o mercado de trabalho, o presidente do Fed afirmou que não existe um "número mágico". Essa fala parece ser um recuo de uma declaração anterior, quando Bernanke comentou que uma queda da taxa de desemprego para perto de 7% seria um indicativo de uma "melhora substancial", que levaria à redução nos estímulos.

Segundo Bernanke, a taxa de desemprego não é um "ótimo" indicador da situação no mercado de trabalho. Ele apontou que outro indicador, a taxa de participação, que indica a fatia da população economicamente ativa na força de trabalho, caiu para 63,2% em agosto, o menor nível desde agosto de 1978. "As condições no mercado de trabalho ainda estão longo do que nós gostaríamos de ver, mas ela pode ser alcançada no próximo ano", afirmou.

O problema do teto da dívida. Ben Bernanke alertou que os cortes orçamentários e as próximas disputas sobre cortes de gastos poderão colocar a economia norte-americana em risco. "A extensão dos efeitos das políticas fiscais restritivas ainda não está clara e os debates fiscais que estão por vir poderão envolver riscos adicionais aos mercados financeiros e à economia em geral", disse.

Os comentários do presidente do Fed foram feitos após o Fomc decidir manter as compras mensais de bônus num ritmo mensal de US$ 85 bilhões. A declaração também segue-se ao acirramento das posições de parlamentares de oposição e a administração de Barack Obama sobre a negociação para elevação do teto do endividamento do governo americano. Mais cedo, Obama afirmou que não irá negociar a elevação do teto da dívida em troca de um adiamento na implementação da lei da saúde e acusou a oposição de chantagear o presidente com temas orçamentários.

Bernanke afirmou que as decisões sobre política fiscal que estão por vir são um fator de preocupação levado em conta na discussão dos membros do Fomc. "Eu incluiria tanto a possibilidade de uma paralisação do governo, mas também a questão do teto da dívida. Essas são, obviamente, parte de um conjunto muito complicado de decisões legislativas, estratégicas, batalhas, etc., sobre as quais não quero me aprofundar, mas acho que uma paralisação do governo e talvez ainda mais o fracasso em elevar o teto da dívida poderão ter consequências muito sérias para os mercados financeiros e para a economia. E o Federal Reserve vai fazer tudo que puder para manter a economia crescendo", afirmou.

O presidente do Fed acrescentou que se essas medidas levarem a economia a desacelerar, então o Fed certamente teria de levar isso em consideração. "Então esse é um risco que estamos observando quando avaliamos nossa política. Nossa capacidade de neutralizar tais choques é muito limitada, particularmente um choque com o teto da dívida, e eu acho que é extraordinariamente importante que o Congresso e o governo trabalhem juntos para encontrar uma forma de garantir que o governo seja financiado, os serviços públicos sejam mantidos e o governo possa honrar suas contas, e que possamos evitar qualquer tipo de evento do tipo do que tivemos em 2011, que teve, ao menos por algum tempo, um efeito adverso sobre a confiança na economia", alertou.

Presidência do Fed. Bernanke recusou-se a especular sobre quem pode substituí-lo no comando do banco central norte-americano e também não quis responder se estaria disposto a continuar no cargo se esse for o desejo do presidente dos EUA, Barack Obama.

"Eu prefiro não falar dos meus planos neste momento. Espero ter mais informações em uma data breve", afirmou Bernanke. "Hoje, quero focar em política monetária."

O mandato de Bernanke no comando do Fed termina no fim de janeiro e a expectativa é de que ele não continue no cargo.

A atual vice-presidente do Fed, Janet Yellen, é vista como favorita para substituir Bernanke, especialmente após o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers retirar seu nome da disputa. Fontes: Market News International e Dow Jones.

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