Não há nenhuma decisão do Copom que seja definitiva, diz Meirelles

Presidente do BC afirmou que 'por definição' o período levado em conta para as decisões de política monetária é de doze meses

Fernando Nakagawa e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 13h35

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, minimizou há pouco as críticas de senadores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deveria ter iniciado o ciclo de aumento da taxa básica de juros em março para reagir ao forte ritmo da economia. Em audiência pública na CAE do Senado, Meirelles rejeitou a avaliação e disse que "uma das grandes vantagens do Copom a cada 45 dias é que não há nenhuma decisão que seja definitiva".

 

O presidente do BC afirmou que a política monetária é "feita em sequência de ações e reuniões e é razoável haver divergência na margem". "Isso acontece em todo o mundo", ressaltou aos parlamentares.

 

Meirelles explicou que "por definição" o período que a autoridade monetária leva em conta no chamado "horizonte relevante" para as decisões de política monetária é "sempre doze meses à frente e o ano seguinte". A explicação foi dada em rápida entrevista coletiva, ao deixar a audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. "Na medida em que se caminha durante o ano, os 12 meses avançam", afirmou Meirelles ao responder questão dos jornalistas sobre se 2010 já não estava mais sendo levado em conta pelo BC para o cumprimento da meta de inflação. Meirelles afirmou que "o importante é que o BC trabalha sempre para assegurar a inflação na meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional".

 

Decisão

 

Ele defendeu que a manutenção da Selic em 8,75% em março foi uma decisão "absolutamente técnica". Ao responder questão do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre o placar dividido da reunião e a existência de trechos da ata em que é ressaltado o consenso sobre a necessidade de uma estratégia de reação à nova evolução da economia, Meirelles respondeu que "havia consenso sobre a dinâmica da economia, dos preços". Ele explicou, porém, que o placar dividido do encontro reflete o debate sobre "qual seria a melhor estratégia" para o BC reagir a esse cenário.

 

Meirelles repetiu a explicação de que alguns membros do Copom acharam, na época, adequado antecipar algumas ações de política monetária, mas prevaleceu o entendimento de que seria melhor manter a programação feita previamente.

 

O presidente do BC negou que a autoridade monetária tenha sido pega de surpresa pelo ritmo de crescimento da economia e usou como argumento o fato de que a pesquisa Focus divulgada ontem trouxe aumento da expectativa de expansão do PIB em 2010 para 5,81%. "Essa já era a previsão feita pelo BC em dezembro do ano passado. O BC não foi surpreendido", disse.

 

Meirelles também negou que a maioria do mercado tenha se surpreendido com a manutenção da taxa Selic na reunião de março. Ele lembrou que a pesquisa Focus da época mostrava que prevalecia a aposta de juro estável naquele encontro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.