'Não há risco de apagão em 2008', diz especialista do setor

Contrariando algumas previsõesmais pessimistas do mercado, o coordenador do Grupo de Estudosdo Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio deJaneiro, Nivalde Castro, considera que o risco de um apagãoesse ano é muito remota. Embora o nível dos reservatórios tenha atingido naquarta-feira o nível mais baixo dos últimos dias, Castroentende que a situação ainda é confortável e há folga paraevitar um novo racionamento em 2008. "A probabilidade de risco de apagão é muito baixa,muitíssimo baixa. Talvez a probabilidade aumente em 2009, dependendo do nível dos reservatórios ao fim desse ano",avaliou o economista Para ele, 15 de fevereiro será a data limite para se fazeruma projeção para a oferta de energia em 2009. "Estaremos no meio do período úmido. O que interessa échover em Minas Gerais onde está o nascedouro de muitas baciasimportantes para o país. Ainda temos água nos reservatórios,mas o problema é depreciar muito e começar janeiro de 2009 comochegamos em janeiro de 2001, com 22 por cento de nível", acrescentou Castro. Ele destacou que as regiões Sudeste e Centro-Oeste sãoresponsáveis por mais de 70 por cento da geração hidroelétricado país. Castro afirmou que a Petrobras está sendo pressionada acumprir seu cronograma de obras para ampliar a oferta de gás nopaís e evitar futuros riscos no fornecimento de energia. A estatal deve colocar no mercado em 2008 mais 5,5 milhõesde metros cúbicos de gás provenientes da bacia do EspíritoSanto; outros 6 milhões de metros cúbicos das plantas de GásNatural Liquefeito (GNL) no Ceará, e deve antecipar para esseano a unidade de regaseificação de gás no Rio de Janeiro. "A oferta seria ampliada em 25,5 milhões de metros cúbicosesse ano e atenderia a demanda do mercado, incluindo o acordofeito pela Petrobras com a Aneel (agência reguladora dosetor)... Acho que a questão do gás é pontual", declarou oprofessor da economia da UFRJ. Castro afirmou ainda que o arcabouço legal e estrutural em2008 é muito mais sólido que em 2001, ano do racionamento deenergia. "Não dá para comparar um ano com o outro. Em 2001, oplanejamento do setor estava desarticulado, o sistema tinhamenos linhas de transmissão, a prioridade era a privatização eo marco regulatório não estimulava investimentos", declarou. "O cenário de médio prazo é muito favorável no setor deenergia. O Madeira (usina hidrelétrica do rio Madeira)destravou uma barreira ambiental que existia na Amazônia. Aindatemos o campo de Tupi (da Petrobras), que tem muito petróleo egás", exemplificou. O diretor da EPE, Amilcar Guerreiro, também disse nãoacreditar em um risco de apagão esse ano. "A demanda de energia está evoluindo dentro das previsões.Há uma tendência forte de aumento da autoprodução. O mercadoregulado está quase todo contratado e os preços desse mercadoestarão estáveis nos próximos anos", disse Guerreiro. "Os preços no mercado livre já estão sofrendo o impacto dassobras de energia do período pós-racionamento de 2001. Os 500reais o megawatt no mercado livre afeta um parcela mínima. Égente que não estava lastreada e preferiu apostar. Esse é ojogo", finalizou. (Edição de Denise Luna)

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