Não se pode declarar guerra de preços com a China, diz Eike Batista

O empresário se referiu à Vale como a única empresa que pode dizer para a China 'vou te dar um contrato enorme de suprimento de matéria-prima e cumprir'

Chiara Quintão, da Agência Estado,

30 de agosto de 2010 | 17h11

A Vale desafiou os chineses para a guerra ao aumentar os preços do minério de ferro em meados do ano, na avaliação do empresário Eike Batista, presidente do grupo EBX. "Não se pode declarar guerra de preços com a China", disse, destacando que os chineses são grandes investidores no Brasil. O empresário se referiu à Vale como a única empresa que pode dizer para a China "vou te dar um contrato enorme de suprimento de matéria-prima e cumprir". Segundo ele, os chineses "gostam de falar com Vale porque é como falar com o governo". Eike participou de gravação do programa Roda Vida, da TV Cultura.

Sem citar o nome do presidente da Vale, Roger Agnelli, Eike afirmou que "mais da metade do CEOs está no lugar errado". "Se somarmos as participações de fundos de pensão na Vale, a participação majoritária é do governo, mas o Roger opera aquilo da cabeça dele", disse. Questionado sobre quem colocaria à frente da Vale no lugar de Agnelli, Eike respondeu que teria de pensar e, quando perguntado se o presidente da Vale é um de seus adversários, negou. "Não é. Minha meta hoje é passar os que estão na minha frente. Sou competitivo mesmo. Vejo uma possibilidade gigantesca de consertar coisas no Brasil", disse. Conforme Eike, o que Agnelli "fez de certo" diz respeito à atuação da Vale no setor de fertilizantes.

O presidente do grupo EBX é filho de Eliezer Batista, que foi presidente da Vale e ministro de Minas e Energia. Há quem questione se Eliezer teria entregado a Eike o mapa do subsolo brasileiro. "Sou um dos sete filhos. Meu pai não deixou nenhum filho chegar nem perto de nenhuma subsidiária da mineradora. Quando a Vale foi privatizada, eu tinha dinheiro para participar, mas meu pai disse: sai daqui." Segundo o empresário, seu pai conectou o Brasil ao Japão. "A Vale ajudou o Japão a se industrializar. Eu estou tendo a chance com a China, que é dez vezes maior, de fazer o mesmo", disse.

Questionado se espera que seus filhos o superem assim como ele já teria superado ao pai, o presidente do grupo EBX afirmou estar ensinando o filho de 19 anos a "preservar". "Vai ser muito difícil repetir uma história de cinco empresas que têm projetos transformacionais para o Brasil e que têm impactos mundiais", afirmou. Fazem parte do grupo EBX a MMX, de mineração, a OGX, de exploração e produção de óleo e gás natural, a LLX, de logística, a MPX, de energia, e a REX, do setor imobiliário. 

Tudo o que sabemos sobre:
ChinapreçosEike

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.