Regis Duvignau/Reuters
Regis Duvignau/Reuters

'Não temos discussão com Casino e não vamos ter', diz presidente do Carrefour Brasil

Na semana passada, os grupos confirmaram que houve uma conversa entre os presidentes globais

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 11h32

O presidente do Carrefour Brasil, Noel Prioux, afirmou que no País não há discussão com o grupo Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar. Na semana passada, os grupos confirmaram que houve uma conversa entre os presidentes globais, mas o Carrefour negou ter feito proposta de compra pelo Casino.

"Não temos discussão com o Casino e não vamos ter", disse Prioux.

Ele afirmou que não tem dados para fazer declarações sobre o teor da conversa entre os grupos na França, disse apenas que não foi uma proposta de fusão.

"O mundo de parcerias hoje é algo importante. Mas não se trata de parceria no sentido de fusão. Podemos compartilhar ideias", concluiu. 

Momento delicado

Os comentários sobre a fusão vieram em um momento delicado para o Casino. As ações da empresa chegaram ao menor valor em dez anos em 31 de agosto, antes de recuperar parte das perdas em setembro, já de carona nos primeiros rumores sobre a fusão agora descartada por ambas as partes.

Um dos motivos de suposta desconfiança dos investidores em relação ao Casino seria o peso da dívida – a Rallye, holding do grupo, devia € 3,7 bilhões em dezembro de 2017 –, o que levou o conglomerado a se desfazer de operações. A frequência e a intensidade das oscilações na bolsa de valores, porém, fez a dona do Grupo Pão de Açúcar suspeitar de ataques especulativos coordenados.

Antes da tentativa de aproximação frustrada, os dois grupos vinham ampliando as frentes de concorrência. Depois que o Casino firmou um acordo operacional com a Amazon para distribuição de produtos na web, Carrefour investiu em um acordo com o Google. 

Uma fusão criaria um gigante francês e mundial que reuniria marcas como Carrefour, Casino, Monoprix, Franprix, Leader Price e Naturalia. Na França, hoje o Carrefour é a rede número dois, enquanto o Casino ocupa a terceira posição.

No Brasil, bandeiras como Atacadão, Assaí, Pão de Açúcar e Extra seriam afetadas, além de Ponto Frio e Casas Bahia, controladas pela Via Varejo (do GPA). Fontes ligadas às duas companhias admitiram que a fusão provavelmente enfrentaria dificuldades para ser aprovada por órgãos de proteção à concorrência, já que Carrefour e Casino são as líderes de mercado por aqui.

A negociação também poderia reforçar a posição dos dois grupos na transformação digital pela qual o setor supermercadista começa a ser afetado. Desde o início do ano os dois grupos estão em baixa nos mercados financeiros. Casino já perdeu cerca de 30% de seu valor, enquanto Carrefour perdeu cerca de 10%.

Proposta de Abilio 

Os comentários sobre uma possível fusão entre as operações do Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar, e o Carrefour começaram no Brasil, em 2011. O negócio foi, na época, amarrado pelo empresário Abilio Diniz, que buscava evitar o repasse do controle do negócio que fora fundado por seu pai aos franceses. 

O Casino investiu no GPA em um momento de dificuldades, e o acordo fechado entre as partes previa que, a partir de 2012, o grupo francês assumisse o controle do negócio. A proposta de fusão foi uma tentativa do brasileiro de evitar a concretização desse contrato e deu início a uma briga judicial com o Casino que durou dois anos.

Quando finalmente a paz entre a Abilio e Casino foi selada, o empresário brasileiro deixou o GPA. Posteriormente, tornou-se sócio, por meio da empresa de investimentos Península, em negócios como a gigante dos alimentos BRF e as operações brasileira e global do Carrefour. / COLABORARAM FERNANDO SCHELLER, CÁTIA LUZ E MÔNICA SCARAMUZZO, COM ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.