'Não temos para onde vender, temos sofrido ataques', diz vice da BRF

'Não temos para onde vender, temos sofrido ataques', diz vice da BRF

Em audiência no Senado, o executivo Jorge Lima disse que os embargos impostos por outros países ao Brasil têm feito a empresa recuar

André Borges, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 15h58

BRASÍLIA - O vice-presidente global de eficiência corporativa da BRF, Jorge Lima, fez nesta terça-feira, 12, uma análise crítica da situação vivida pela empresa seja no mercado interno ou no internacional.

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Em audiência pública no Senado para discutir os impactos da atuação da BRF no Estado de Goiás, Lima disse que os embargos impostos por outros países ao Brasil têm feito a empresa recuar.

"Temos sofrido um ataque de outros países que nos faz recuar. Não temos mais para onde vender", disse.

Segundo ele, a empresa vai reduzir a quantidade de peru no Brasil e as plantas serão readequadas à realidade. "Estamos fazendo o possível e o impossível para evitar fechamento de planta. Vamos reduzir a produção de peru por não ter onde vender", afirmou.

Lima reclamou sobre a propaganda feita na Europa contra a carne brasileira, o que ele chamou de "um absurdo". O executivo informou que o problema atualmente para a empresa é a produção de frango e peru. "Essa cadeia de perus vai estourar, temos que parar", disse. Ele informou que estão sendo analisados o reaproveitamento de empregados nesse momento.

O executivo lembrou que a decisão anunciada pela China na semana passada, que aplicou medidas antidumping contra a carne frango do Brasil, com tarifas que variam de 18,8% a 38,4%. "A China taxou a gente em 38%, isso inviabiliza a exportação", disse afirmando que a empresa não deixará de cumprir contratos com parceiros. 

Ele avaliou que a "guerra entre os países está declarada com o agronegócio". "Vim aqui para falar a verdade da situação. Vamos mexer em linhas para evitar o fechamento de plantas", afirmou. Em seguida, informou que as mudanças por enquanto só afetam linhas de peru em Mineiros (GO). 

"Não temos nem tabela (de frete) para estabelecer o custo logístico", reclamou o executivo, para quem a greve dos transportes teve um efeito "profundo" para o setor. 

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que também participa da audiência na comissão do Senado, disse que o governo está atento para ajudar e evitar os problemas, mas admitiu: "A cada semana é uma surpresa. Meu pacote de velas está acabando."

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