Não vou assinar plano republicano, diz Obama

Proposta elevaria teto da dívida em US$ 2,4 bi, faria cortes em um valor igual e também limitaria gastos a 18% do PIB dos EUA; para Obama, plano é insuficiente

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

19 de julho de 2011 | 14h21

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira, 19, que não irá assinar o plano para a dívida norte-americana proposto pelos deputados republicanos. Ele disse que ainda está lutando por um acordo mais amplo de redução do déficit.

A oposição propunha cortar US$ 111 bilhões nas despesas públicas em 2012 e também contigenciar gastos equivalentes a 19,9% do Produto Interno Bruno (PIB) do país - hoje, cerca de US$ 2,8 trilhões - nos próximos 10 anos. O projeto ainda amarraria o governo americano, por meio de emenda à Constituição, ao impedir que o ajuste fiscal seja feito como pretende a Casa Branca.

O plano republicano surgiu após semanas de negociações com os Democratas e a Casa Branca não resultarem em um acordo para reduzir o déficit e elevar o limite de endividamento, atualmente de US$ 14,3 trilhões. Se o teto da dívida não for elevado até 2 de agosto, os EUA começaram a dar calote em suas dívidas. Tal perspectiva, alertou Obama, na semana passada, pode colocar o país novamente em recessão.

Em uma entrevista à imprensa, o presidente dos EUA afirmou que não havia visto a proposta específica dos republicanos, mas considerou o movimento como meramente político. "Minha expectativa é de que provavelmente a Câmara votará algumas coisas apenas para fazer declarações políticas", disse.

O presidente dos EUA elogiou um plano elaborado por senadores democratas e republicanos para reduzir o déficit norte-americano em US$ 3,7 trilhões e disse que a proposta representa um "passo muito importante" nas negociações sobre o orçamento do país, que até agora não conseguiram gerar um acordo entre governo e oposição.

Obama também disse querer que os líderes do Congresso comecem a elaborar uma solução final para a questão do déficit na quarta-feira e afirmou que os mercados financeiros estão confiantes que as lideranças de Washington "não vão atirar a economia de um penhasco".

O plano para a redução do déficit orçamentário mencionado por Obama foi elaborado pela chamada "gangue dos seis" e prevê cortes de gastos, reformas em programas sociais como o Medicare (assistência de saúde para idosos) e mudanças no Código de Impostos e na Seguridade Social. Os principais autores dos projeto de lei são os senadores Mark Warner (democrata) e Saxby Chambliss (republicano), mas o grupo responsável pelo plano inclui outros quatro senadores - os democratas Kent Conrad e Richard Durbin e os republicanos Mike Crapo e Tom Coburn.

Obama disse que a proposta representa uma abordagem equilibrada para a redução do déficit e afirmou não ter lido todos os detalhes do plano, que foi inspirado em grande parte num pacote de reformas sugeridas por uma comissão bipartidária da Casa Branca no final de dezembro. As informações são da Dow Jones.

(Com Denise Chrispim Martim e Danielle Chaves da Agência Estado)
 

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