REUTERS/Rick Wilking
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Nasdaq vai listar ações da primeira empresa ligada à maconha

O Grupo Cronos, que já tem ações negociadas no Canadá, será listado amanhã sob o símbolo de cotação 'CRON'

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 19h25

A bolsa americana Nasdaq, onde são listadas principalmente companhias do setor de tecnologia, listará as suas primeiras ações de uma empresa ligada à maconha nesta terça-feira, 27, o que representa um marco para a indústria. O Grupo Cronos, que já tem ações negociadas no Canadá - primeiro país a legalizar o uso medicinal da erva - será o primeiro de maconha em uma grande bolsa sob o símbolo de cotação "CRON". 

A empresa, fundada em 2012 e com sede em Toronto, está ligada a área medicinal, o que dá certo conforto para os investidores em um momento desanimador para os negócios americanos da erva. 

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"Esta listagem é um marco estratégico importante e reflete o progresso significativo que fizemos no fortalecimento de nossa governança corporativa e na nossa expansão global", disse Mike Gorenstein, CEO do Grupo Cronos. 

Além de ser um marco para a empresa, a listagem ajuda a abrir portas para os negócios ligados à Cannabis nos EUA, que caminham devagar se comparado a países como o Canadá, Alemanha e até o vizinho Uruguai. Isso porque o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, em janeiro, rescindiu as proteções da era de Obama que permitiram que as indústrias legais estaduais prosperassem. As medidas proibiam qualquer perseguição contra produtores medicinais nos Estados em que a planta é legalizada.

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Após Sessions fechar o cerco, os investidores dos EUA ficaram mais desconfortáveis em aplicar em fundos ou em ações negociadas em balcão que estivessem relação com a maconha. Com a listagem da Cronos, agora os investidores têm uma opção convencional respaldada pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC, (Securities and Exchange Commission).

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"Acreditamos que isso aumentará o valor do acionista a longo prazo, melhorando a conscientização, liquidez e atraindo investidores institucionais", diz Gorenstein. 

Mercado. O setor de cannabis registrou US$ 1,23 bilhão em investimentos para janeiro, de acordo com a consultoria de risco Viridian Cannabis Deal Tracker. O total representa um crescimento de quase 600% ante os US$ 178 milhões registrados nas primeiras cinco semanas do ano passado. 

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No Canadá, o mercado deve crescer ainda mais com a expectativa da legalização da maconha para fins recreativos, conforme promessa do primeiro-ministro Justin Trudeau. 

Por aqui, a Entourage Phytolab vislumbra alcançar no futuro os patamares de seu pares gringos. À frente da empresa, Caio Abreu se dedica a produzir o primeiro medicamento à base da erva 100% brasileiro. Para isso, conta com uma ajuda de peso, a Canopy Growth Corporation, maior companhia ligada à maconha medicinal no mundo.

Avaliada em cerca de US$ 1,2 bilhão, a Canopy, do Canadá foi listada no ano passado na bolsa de Toronto, com o ticker (código de negociação) WEED. Em 2016, ela aportou US$ 3 milhões na Entourage e na Bedrocan Brasil, subsidiária fruto da parceria.

 

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