Silvana Garzaro/Estadão
Silvana Garzaro/Estadão

Fabio Barbosa assume presidência do grupo Natura & Co no lugar de Roberto Marques

Empresa passa por momento difícil e vê seus papéis caírem mais de 73% em 12 meses; executivo diz que chega para dar agilidade e autonomia aos CEOs que comandam cada área de negócio da gigante dos cosméticos

Beth Moreira, Fernando Scheller e Talita Nascimento*, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2022 | 10h26
Atualizado 15 de junho de 2022 | 14h06

Em um momento difícil, em que enfrenta a desconfiança de investidores, a Natura & Co anunciou nesta quarta-feira, 15, que Fábio Barbosa assumirá como principal executivo da empresa, no lugar de Roberto Marques, atual CEO e presidente-executivo do conselho de administração.

A Natura & Co é a holding que reúne os negócios da gigante brasileira, como Natura, Avon, Aesop e The Body Shop. É uma estrutura enxuta e de caráter mais corporativo. Os negócios são tocados separadamente, por executivos de operação. Executivo de larga experiência no mercado financeiro, Barbosa tem um peso institucional para o grupo: é tradicionalmente ligado ao setor ambiental (uma das bandeiras da Natura) e já foi presidente do Banco Real/ABN, do Santander e do Grupo Abril.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa que a mudança faz parte de uma reorganização que está alinhada à sua estratégia para aumentar a responsabilidade de suas empresas e marcas, ao fazer a transição para uma estrutura mais simples da holding.

No entanto, a mudança vem em um momento difícil. A companhia trocou recentemente sua diretoria de RI (relações com investidores) depois de que foi revelado que o resultado do primeiro trimestre foi vazado a analistas. Além disso, os papéis da Natura estão sofrendo na Bolsa: no ano, têm desvalorização acumulada de 73%.

A chegada de Barbosa, executivo de farta experiência, veio para acalmar um pouco os ânimos e, principalmente, para dar agilidade aos negócios e mais autonomia aos CEOs de cada negócio. Nas primeiras horas de negociação na Bolsa brasileira, os papéis da empresa subiam mais de 10% nesta quarta-feira, 15.

"A proposta de reestruturação é necessária, sempre respeitando as características de cada marca. O ex-presidente vai seguir no conselho, mas entrou uma pessoa mais técnica para conseguir mais sinergias e promover ganhos produtivos em um plano integrado de negócios”, comentou Julia Monteiro, analista da MyCap.

No comunicado à CVM, a Natura já adiantou que Barbosa chega para implantar mudanças. "Fábio Barbosa (...) liderará o grupo Natura & Co, assim como uma frente de trabalho para definir nos próximos meses uma nova estrutura corporativa", afirma a companhia.

Transição e aposentadoria

Roberto Marques permanecerá como conselheiro, para auxiliar com o processo de transição, e planeja se aposentar no fim do ano.  "A reorganização do grupo e de sua estrutura de governança estão na direção correta, e estou comprometido em ajudar Fábio e o conselho nos próximos meses", destaca Marques, no documento.

Barbosa, por sua vez, destaca que a reorganização é um marco importante que trará nova energia às quatro unidades de negócio. "Elas serão apoiadas por uma nova e leve estrutura corporativa, que será implementada nos próximos meses", disse.

Desburocratização

Na manhã desta quarta-feira, 15, Barbosa disse que a empresa passou “por uma série de dificuldades” nos últimos tempos e citou entre elas a pandemia de covid-19, o ataque cibernético sofrido pela Avon e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Internamente, ele vê que a empresa tem um processo de simplificação de gestão a ser feito.

“A empresa trabalhou nos primeiros anos um ciclo de integração”, disse. Agora a missão que lhe é entregue é a de simplificar as estruturas dando mais liberdade para cada área de negócio. “A organização foi ficando burocratizada”, disse.

Barbosa vai liderar um processo de transição para buscar agilizar processos na empresa. Segundo ele, os CEOs das unidades de negócio abaixo da holding Natura &Co serão mantidos. As decisões relativas a rearranjos de pessoas em cada uma dessas áreas caberão às suas respectivas gestões. “Há uma certa ansiedade na empresa”, afirmou. 

Para o ex-presidente do Santander, a maior agilidade deve influenciar na receita da companhia, ponto que levou o mercado a derrubar as ações da companhia na divulgação dos números do primeiro trimestre de 2022, quando a companhia postergou metas antes prometidas aos investidores.

Uma das propostas de Barbosa é repensar a presença das marcas do grupo de acordo com estratégias geográficas, em vez de tocar todas as marcas em todas as regiões. Diante dessa necessidade de mudanças, o processo de transição deve ser o mais breve possível em sua visão. /*COLABOROU VICTORIA NETTO

 

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