Navio parado no porto custa US$ 1,2 bilhão ao produtor, diz Bunge

Brasília, 28 - O Brasil gastará US$ 1,2 bilhão em 2004 com adicional de espera dos navios nos portos (sobreestadias). Esse valor é o custo a mais que os exportadores têm de considerar, quando um navio fica à espera das cargas nos portos brasileiros. "Essa despesa adicional vai ser paga pelos produtores", afirmou o representante da Bunge Fertilizantes, Ariosto da Riva Neto. Ele estimou que a "ineficiência logística" vai levar o Brasil a perder de US$ 2 a 3 bilhões este ano. Nesse sentido, ele defendeu investimento em logística e alertou que estimativas conservadoras indicam que a produção de grãos crescerá 55 milhões de toneladas em 2012. "Esse volume equivale a cinco vezes a capacidade atual de exportação pelo Porto de Paranaguá", afirmou. O representante da multinacional disse que o incremento da produção ocorrerá principalmente no Centro-Oeste. "Só Mato Grosso vai responder por mais da metade da produção adicional", afirmou Riva Neto, ao participar hoje de seminário em comemoração aos 40 anos do Ipea, em Brasília. Ariosto da Riva Neto acrescentou que a Bunge trabalha com previsões que sinalizam a necessidade de crescimento da capacidade exportadora da ordem de 31 milhões a 47 milhões de t nos próximos oito anos. A participação por portos seria a seguinte: Amazonas teria aumento da capacidade de exportação da ordem de 7 milhões a 10 milhões de t, para atender basicamente o incremento da produção agrícola no norte de Mato Grosso. Em São Luis (MA) haverá necessidade de aumento de 7 milhões a 10 milhões de t e nos Portos de Aratu e Ilhéus a capacidade deverá ser acrescida em 2 milhões a 4 milhões de t. O Porto de Vitória deve elevar sua capacidade em 3 milhões a 5 milhões de t e os Portos de Santos e Sepetiba devem elevar a capacidade de exportação entre 10 milhões e 15 milhões de t. O restante, entre 2 milhões e 3 milhões de t, seria necessário exportar pelo Porto de Paranaguá. O representante da Bunge observou, ainda, que os produtores brasileiros são duplamente prejudicados no que diz respeito à logística. Isso porque o Brasil é importador de fertilizantes. Estima-se que 70% dos fertilizantes aplicados no Brasil são trazidos de fora. "Então, os produtores têm custos adicionais para importação e gastos extras para internalizar o fertilizante". Ele comentou, também, questões relacionadas à produção agrícola na Argentina. Segundo Ariosto da Riva Neto, para produzir metade do que o Brasil produz, os argentinos consomem por ano 1,8 milhão de t de fertilizantes. O Brasil para produzir o dobro dos argentinos demanda 23 milhões de t de fertilizantes. A diferença, explicou ele, é que a Argentina tem algumas das melhores terras agricultáveis do mundo. Além disso, a maior parte da produção agrícola do país está perto dos portos. Ele lembrou que as terras do Centro-Oeste brasileiro são pobres, demandando grandes quantidades de fertilizantes para sua correção. "Há 10 ou 15 anos, a explosão tecnológica do Centro-Oeste era praticamente impensável", conclui.

Agencia Estado,

28 de setembro de 2004 | 12h41

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