Nissan diz que só demitirá no País se houver colapso

Na contramão do que ocorre no setor, o presidente da empresa espera dobrar a produção de carros da marca na fábrica de Resende (RJ)

ANTONIO PITA, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2015 | 02h05

RESENDE, Rio de Janeiro - Na contramão da indústria automobilística, o presidente da Nissan no País, François Dossa, aposta em crescimento em 2015. Embora espere uma retração de 4% no mercado - ante uma previsão da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de recuo de até 13% -, o executivo espera dobrar a produção na unidade de Resende, no Vale do Paraíba do Rio, que completou ontem um ano de inauguração. Diante da meta, o executivo rechaça diminuir investimentos e avalia que só um "colapso" na economia levaria a demissões.

"Tenho 99% de certeza que não demitiremos ninguém entre os 1.800 empregados. Temos metas para este ano e para chegar à capacidade total da fábrica, de 200 mil carros, nos próximos dois anos. O 1% (de incerteza) é o Brasil entrar em colapso, sair de uma venda anual de 3 milhões de veículos para menos de 1 milhão. E isso não vai acontecer", afirmou Dossa.

Segundo o executivo, há um "excesso" de pessimismo com a economia brasileira. Embora o mercado de automóveis como um todo caminhe para uma diminuição neste ano, Dossa aposta no crescimento da fatia da Nissan. O otimismo é baseado na "robustez" da marca, na baixa taxa de motorização do País e na consolidação dos produtos nacionais, com incentivo aos fornecedores locais.

"Está todo mundo no mesmo mercado. Quem já é grande não tem para onde crescer. Nós vamos ampliar em 30% nossa participação no mercado, chegando a 3% em 2015, com a ampliação da rede de concessionárias", explicou Dossa.

O executivo projeta saltar de 60% para 85% a cobertura do País com as lojas. "Vamos saltar a produção de 30 mil para 68 mil veículos nessa unidade. Como demitiria com essa meta?", reforçou.

Reação. Para o executivo, o País tem uma "capacidade de reação rápida" e uma economia "forte" e que deverá passar por uma "reviravolta" para retomar o crescimento já em 2016. "As medidas anunciadas são boas, o ministro Joaquim Levy tem um bom plano. Quem diz isso são as agências que mantêm o rating do País, é o FMI. Agora, a pergunta é se elas serão implantadas. A parte mais difícil da crise é a política", disse Dossa.

Outra aposta do grupo é o vigoroso plano de investimento em marketing nos próximos anos, que passa pelo patrocínio das Olimpíadas de 2016, que ocorrerão no Rio.

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